O parto prematuro, a principal causa de morte perinatal de mães e bebés, pode ser evitado graças a uma descoberta de cientistas norte-americanos publicada, esta quarta-feira, na revista especializada Science Transnational Medicine.

Uma investigação da Universidade de Stanford e da Universidade do Nevada, nos EUA, ajudou a localizar o elemento que provoca as contrações da mulher, o que permitiu desenhar um inibidor para as interromper e adiar o parto.

Atualmente, não existe uma estratégia específica para prevenir ou tratar os partos prematuros que provocam a morte ou graves deficiências em inúmeros recém-nascidos todos os anos.

O desencadeador do parto é um canal de cálcio, ou seja, uma proteína semelhante a um poro que se encontra na membrana das células e que controla o fluxo de cálcio até ao interior da célula.

A identificação do canal de cálcio nas células musculares da parede uterina como causador da ativação das contrações permitiu aos médicos identificar o alvo para onde será direcionado um inibidor para as bloquear.

Os investigadores aperceberam-se de que este canal de cálcio está mais presente em mulheres grávidas do que nas não-grávidas, aumentando os índices à medida que a gestação avança.

Os canais de cálcio são conhecidos pela capacidade de conduzir e manter o ritmo cardíaco, pelo que faz sentido que ajudem a preparar o corpo da mulher para o parto, como descobriu a equipa liderada pelo cientista Lihua Ying.

As equipas académicas de Nevada e Stanford desenvolveram um inibidor e testaram-no com sucesso em dois tipos de roedores, conseguindo prolongar as gravidezes e evitar partos prematuros.

Pelo contrário, a estimulação do canal de cálcio acelerou o parto dos ratinhos, comprovando a descoberta.