Mark Zuckerberg deu, na terça-feira, mais peso à ideia de que poderá entrar na política com o anúncio de um desafio pessoal para 2017.

O jornal britânico The Guardian sublinha que, em anos anteriores, o fundador e CEO do Facebook aprendeu mandarim, prometeu correr pelo menos uma milha (1,6 quilómetros) por dia e construiu um assistente virtual chamado Jarvis para controlar a casa em que mora. Este ano, Mark Zuckerberg quer visitar e conhecer pessoas em todos os Estados dos EUA. O CEO já visitou cerca de 20 Estados, o que significa que tem de viajar para cerca de 30 Estados até ao fim do ano.

“Depois de um ano agitado, a minha esperança para este desafio é sair e falar com mais pessoas sobre como vivem, trabalham e pensam no futuro", escreveu Zuckerberg no Facebook, a anunciar o desafio.

"Durante décadas, a tecnologia e a globalização tornaram-nos mais produtivos e ligados. Isso criou muitos benefícios, mas para muitas pessoas também tornou a vida mais desafiadora. Isso contribuiu para o maior sentimento de divisão que alguma vez senti na vida. Temos de encontrar uma forma de mudar o jogo para que ele funcione para todos”, acrescentou.

Mark Zuckerberg revelou que o périplo pelo país incluirá viagens com a mulher Priscilla Chan, visitas a escritórios do Facebook, reuniões com professores e cientistas, e paragens em cidades pequenas e universidades.

"Estou ansioso por iniciar este desafio e espero vê-los por aí!", disse o CEO à comunidade do Facebook, que agora tem 1,79 mil milhões de membros.

O The Guardian escreve que um dos mais recentes factos que indicam a intenção de Zuckerberg de entrar na política aconteceu no início de dezembro: os documentos arquivados de uma ação coletiva em abril de 2016 revelaram que Zuckerberg e dois membros do conselho discutiram como o CEO poderia prosseguir uma carreira política, mantendo o controlo do Facebook.

O capitalista Marc Andreessen, um dos mais proeminentes investidores no Facebook, enviou uma mensagem a Zuckerberg, em março de 2016, a dizer que a "maior questão" da proposta corporativa era "como definir a questão do serviço governamental sem assustar os acionistas com a ideia de que você está menos comprometido com a empresa."

No dia de Natal, o fundador do Facebook anunciou que deixou de ser ateu, um dos maiores “passivos” que um candidato presidencial pode ter, de acordo com um inquérito feito pelo Pew Research Center.

“Feliz Natal e Feliz Hanuka da parte de Priscilla, Max, Beast e de mim”, escreveu Mark Zuckerberg, em referência à mulher, à filha, ao cão e a si próprio.

Um dos comentários à publicação de Zuckerberg no Facebook questionou: “Não é ateu?”. O CEO respondeu: “Não. Eu fui criado como judeu e depois passei por um período de questionamento, mas agora eu acredito que a religião é muito importante”.

Zuckerberg já esteve com um pé na política, com o lançamento em 2013 do grupo de lobbie Fwd.uspara apoiar a reforma de imigração nos EUA e expandir o programa de vistos H1B, que é amplamente utilizado em Silicon Valley para contratar trabalhadores estrangeiros qualificados. Zuckerberg também aumentou os esforços filantrópicos com a niciativa Chan Zuckerberg, através da qual planeava gastar três mil milhões de dólares (2,87 milhões de euros) para "curar, prevenir ou monitorizar todas as doenças".

Filho do dentista Edward Zuckerberg e da psiquiatra Karen Kempner, o fundador do Facebook tem 32 anos e é um dos homens mais ricos do mundo, com uma fortuna calculada em cerca de 38 mil milhões de euros.