Investigadores norte-americanos da Universidade de Ciência e Tecnologia do Missouri e do Centro Médico e das Ciências do Cérebro da Universidade de Duke, descobriram uma ligação entre a utilização da internet e os sintomas, normalmente, associados à adição e consumo de drogas.

O estudo analisou os resultados das respostas de 69 estudantes universitários sobre os seus hábitos de internet durante dois meses, que, agora, poderão ajudar a identificar os jovens mais predispostos a adquirirem uma adição de drogas.

Segundo o «Daily Mail», os estudantes responderam a um questionário de 20 perguntas onde designaram numa escala de 0 a 200, os problemas que podem advir do uso contínuo da internet.

Foram identificadas características da adição como a abstinência, introversão, tolerância, necessidade, consequências negativas para a vida, forma de escape e tempo reduzido para as atividades comuns.

Os resultados ficaram entre os 30 e 134 valores [dos 200 possíveis], com uma média de 75, o que indica que alguns deles podem estar a tornar-se viciados na internet.

Os jovens foram depois divididos em várias categorias, consoante aquilo que mais fazem quando estão online, como utilização das redes sociais, jogos ou download de ficheiros.

Aqueles que normalmente usam a internet para consultar o e-mail e visitar as redes sociais tiveram os resultados mais baixos, ou um nível de adição menor, enquanto os que jogam regularmente usam chats ou navegam sem um propósito claro, obtiveram valores mais altos.

Segundo o estudo, jogar online está mais associado à introversão, à perda de controlo e à necessidade, enquanto falar em chats ou fazer múltiplos downloads se associam a maior solidão.

Cerca de 10% de todos os utilizadores apresentam alguma forma de dependência da internet e o seu uso intensivo pode induzir mudanças nos caminhos do cérebro ligados à sensação de recompensa, semelhante às drogas, revelou o Dr. P. Murali Doraiswamy, do Centro Médico da Universidade de Duke.

«A tendência é pensarmos nos problemas dos vícios das drogas mais seriamente do que com a Internet. As consequências negativas dela podem estar muito pouco valorizadas», disse Doraiswamy.

Os investigadores acreditam que o estudo pode ajudar a relacionar o uso da internet com os comportamentos e a saúde emocional, e alertam para a necessidade de determinar o que é um uso excessivo da internet. No entanto, afirmam que o seu estudo não vem provar uma relação entre o comportamento aditivo com o uso da internet.