Cientistas da Universidade de Medicina de Stanford testaram com aparente sucesso um novo tratamento destinado a vítimas de acidentes vasculares cerebrais (AVC) que conseguiu devolver algumas das capacidades perdidas, incluindo motoras.

Os doentes que sobrevivem a um AVC vêm, muitas vezes, a sua qualidade de vida afetada. Muitos perdem a capacidade de se expressar e movimentar como antes, e em casos mais severos, podem ficar dependentes de uma cadeira de rodas.

No ensaio clínico, dirigido por Gary Steinberg, cujos resultados foram publicados na revista Stroke, foram injetadas células-mãe adultas – que têm a capacidade de se transformar em qualquer célula, consoante a parte do corpo onde são aplicadas – nas zonas afetadas do cérebro de 18 pacientes, com uma média de 61 anos, que ficaram com severas limitações motoras. Os investigadores abriram um pequeno buraco no crânio dos doentes por onde, durante seis meses, foram injetadas as células recolhidas da medula-óssea de dois dadores.

Os pacientes escolhidos tinham sofrido um AVC isquémico  - causado por um coágulo, que impede o sangue de chegar a algumas partes do cérebro - há pelo menos seis meses, e até três anos. Até agora, pensava-se que o cérebro já não conseguiria reverter os danos causados pelo acidente vascular cerebral depois de tanto tempo, porém, os resultados foram outros. Logo durante o primeiro mês do tratamento, os pacientes começaram a mostrar melhorias na fala e nos movimentos dos braços. Muitos, que dependiam de uma cadeira de rodas, voltaram a andar.

Depois de injetarmos as células-mãe no cérebro de vítimas de AVC, ficámos boquiabertos. Em apenas alguns dias alguns já levantavam os braços acima da cabeça, as pernas da cama. Alguns voltaram a andar, quando não o faziam há meses ou anos. Ficámos contentes com os resultados”, disse Steinberg ao Telegraph.

As células-mãe não sobreviveram muito tempo no cérebro, e foram desaparecendo, mas as melhorias continuaram. Os pacientes melhoraram nos três meses que se seguiram e mantinham-se ao final de um ano, em alguns casos dois anos. Mais importante, não foi registado qualquer retrocesso para o estado inicial.

Os investigadores provaram que é possível regenerar zonas afetadas do cérebro, mesmo em pacientes com idade avançada. As células-mãe basicamente rejuvenesceram aquelas partes do órgão, o que permitiu a recuperação.

De uma forma simples, as células-mãe transplantadas deixam o cérebro adulto parecido com o de um bebé, que recupera bem depois de um AVC ou outro dano.”

Como escreve o britânico Telegraph, ainda que o estudo esteja numa fase inicial, não parecem haver efeitos secundários severos depois do tratamento. Alguns pacientes queixavam-se de dores de cabeça após o procedimento, que foram depois desaparecendo.

A equipa de Steinberg ainda está a investigar de que forma tecidos que se julgavam mortos, ou irreversivelmente danificados foram “ressuscitados”, mas acredita que este tratamento pode ser usado para outras doenças, como o Alzheimer ou Parkinson.

Os investigadores vão passar agora para a segunda fase dos testes, no qual vão participar 153 pessoas.