Uma equipa de investigadores portugueses concluiu que a colocação de painéis solares nas fachadas de prédios permite duplicar a produção de energia, apesar das paredes exteriores dos edifícios terem orientações e inclinações menos favoráveis do que os telhados.

O trabalho foi realizado por três docentes do Departamento de Engenharia Geográfica, Geofísica e Energia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

A equipa calculou o potencial de energia solar de fachadas, aplicando a metodologia ao 'campus' universitário da Faculdade de Ciências, e concluiu que, embora as paredes exteriores dos edifícios apresentem inclinações e orientações menos propícias para a colocação de painéis fotovoltaicos do que as coberturas inclinadas a sul, a área disponível permite duplicar a radiação solar recebida anualmente.

Em declarações à agência Lusa, um dos investigadores, Miguel Brito, salientou que, à escala de uma cidade, as fachadas dos prédios têm uma grande potencial energético, uma vez que «cada fachada tem tanta área como um telhado», possibilitando "duplicar a produção de energia fotovoltaica", não havendo obstáculos à instalação de painéis, como antenas e chaminés.

Além dos ganhos energéticos, a instalação de painéis nas fachadas traduzir-se-á, de acordo com o docente, em poupanças nos materiais de construção das paredes, nomeadamente em tijolo e tintas.

Paula Redweik, que participou no mesmo trabalho, ressalvou que não se trata de forrar as fachadas dos prédios com painéis solares semelhantes aos que existem em terraços, telhados ou parques fotovoltaicos, lembrando que «existe uma indústria de materiais fotovoltaicos que se integram na construção dos edifícios».

Na prática, segundo a investigadora, pouco se notaria a diferença entre os atuais edifícios espelhados e as construções em altura com painéis fotovoltaicos, que podem ser transparentes e ser usados, inclusive, em janelas.

A engenheira geográfica realçou que o potencial solar das fachadas dos prédios, que está a ser testado em edifícios em Lisboa, permite poupar noutras fontes de energia.

Miguel Brito crê que o uso de painéis solares, apesar de ainda não ser competitivo, possa ser uma realidade em prédios novos, em 2020, dado a queda do seu preço, na ordem dos 40 por cento.

Para calcular a energia solar que chega às fachadas dos prédios, comparando-a com a dos telhados, a equipa recorreu a dados LIDAR (tecnologia ótica de deteção remota que mede propriedades da luz refletida) e de observações meteorológicas.

A equipa desenvolveu um algoritmo, aplicado aos edifícios do campus da Faculdade de Ciências de Lisboa, que permite determinar o seu potencial de receção de energia solar anual, identificar os melhores locais para colocação de painéis solares e prever o seu desempenho.

Com o modelo, os investigadores conseguiram definir a exposição solar e os sombreamentos das coberturas e fachadas para todas as horas de um ano.

Paula Redweik recordou que mesmo nos pontos à sombra há «radiação difusa que serve para produção de energia fotovoltaica».

Os resultados do trabalho foram publicados na revista «Solar Energy», que a Lusa cita.