Investigadores da Universidade do Porto participaram num estudo internacional onde se concluiu que consumir peixe mais que três vezes por semana durante a gravidez aumenta o risco de obesidade nas crianças, que podem nascer com perturbações no sistema endócrino.

"O peixe é uma fonte de poluentes orgânicos e uma exposição frequente a esse tipo de produtos químicos (incluindo os desreguladores endócrinos), aumenta os riscos de desenvolver obesidade na infância ou mesmo transtornos durante o crescimento da criança", lê-se num comunicado divulgado hoje pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP).

Os investigadores do ISPUP Henrique Barros e Andreia Oliveira participaram nesta investigação através do programa Geração XXI, que acompanha o desenvolvimento de 8647 crianças até à idade adulta, iniciado em 2005.

Durante a investigação foram recolhidas informações de 26.184 mulheres grávidas e dos filhos destas, na Europa e nos Estados Unidos. Concluiu-se do trabalho que Espanha é o país com maior consumo de peixe durante a gestação, estando Portugal em segundo lugar, com um consumo médio de peixe de quatro vezes por semana.

Os investigadores, que estabeleceram uma ligação entre o consumo de peixe por parte da mãe e o desenvolvimento da criança até aos seis anos, afirmam que os excessos são nocivos e comuns, embora não esclareçam sobre a quantidade e o tipo de peixe ideal que deve ser consumido.

Das 8.215 crianças acompanhadas, verificou-se que 31% tiveram uma rápida taxa de crescimento desde o nascimento até ao segundo ano, enquanto cerca de 19% (4.987) registaram excesso de peso ou estavam obesas aos quatro anos e 15% (3.476) aos seis anos.

"A contaminação dos peixes por poluentes no meio ambiente pode ser uma explicação para os efeitos observados em crianças pequenas entre a quantidade de peixe consumida pelas mães quando estavam grávidas e o aumento do excesso de peso entre as crianças", conclui o estudo.

Em 2014, a agência do medicamento norte-americana (FDA, sigla em inglês) e a Agência de Proteção Ambiental (EPA) já tinham alertado que as mulheres grávidas ou que pretendiam engravidar não deviam consumir peixe mais do que três vezes por semana, para não expor o feto ao mercúrio, considerado "um metal pesado e tóxico para o desenvolvimento do cérebro infantil".