Se tem a sensação que os mosquitos costumam preferi-lo a si em vez de outras pessoas que partilham os mesmos espaços, esqueça o mito da pele mais clara, ou a expressão do "sangue mais doce", porque a resposta pode estar nos seus genes.

Um estudo realizado no "London School of Hygiene & Tropical Medicine", e publicado em abril na revista PLOS ONE,
revela que podem ser genes específicos, presentes em certos indivíduos, que determinam o "cheiro" de cada um, e se alguém é mais, ou menos, apetecível para estes insetos.

Para o estudo, o grupo de cientistas chamou 18 pares de gémeos idênticos (os chamados “gémeos verdadeiros”) e 19 de gémeos não idênticos. No laboratório, os particiapante foram colocados com o respetivo par uma mão em frente a um tubo em forma de “Y” por onde era enviado ar até um reservatório onde estavam 20 mosquitos. O objetivo era observar qual dos gémeos era preferencialmente escolhido pelos insetos.

No caso dos gémeos idênticos, os investigadores não notaram grandes diferenças na escolha dos mosquitos, já no caso dos restantes participantes – que não partilham 100% do código genético – foi possível observar algumas preferências nas escolhas.

Agora, os investigadores querem identificar que genes estão por detrás das preferências dos mosquitos.

Um estudo anterior, realizado pelos mesmos investigadores, indicava que as pessoas menos picadas “tinham um cheiro diferente” para os mosquitos, como se produzissem um repente natural a estes a insetos. Com a nova investigação, os cientistas pensam que são genes específicos que afetam o “cheiro” das pessoas aos mosquitos.

“Gémeos idênticos eram muito semelhantes a nível da atração para os mosquitos, e gémeos [que não são idênticos] eram bastante diferentes. (…) Se conseguirmos determinar quais os genes envolvidos, podemos desenvolver repelentes”, disse James Logan, um dos investigadores ao NPR.


“Os mosquitos [utilizados no estudo], o Aedes aegypti, são os maiores transmissores de febre amarela, dengue e outros agentes infeciosos. Por isso, quanto mais soubermos sobre o que leva um mosquito a encontrar uma pessoa, melhor vamos conseguir delinear estratégias para proteger a população”, disse por sua vez Richard Pollack, um entomologista da Universidade de Harvard.