Um grupo de investigadores descreveu o mecanismo que explica como as células do cancro da mama transformam células saudáveis em tumorais, aumentando o tumor, num estudo que abre a porta para o desenvolvimento de biomarcadores e estratégias terapêuticas.

A investigação foi publicada esta quinta-feira na revista Cancer Cell e conta com a participação de investigadores do Instituto de Investigação Biomédica de Bellvitge (Idibell), do Instituto Catalão de Oncologia (ICO) e do Hospital Universitário de Bellvitge.

O estudo descreve como os exosomas que as células tumorais libertam contêm proteínas e moléculas de microARN capazes de transformar as células vizinhas em células tumorais promovendo o crescimento do tumor.

Os exosomas são pequenas vesículas que todas as células possuem e que contêm proteínas, ARNs mensageiros e microARNs.

Inicialmente, acreditava-se que somente funcionavam como armazéns de restos celulares, mas nos últimos anos notou-se que poderiam ter um papel importante como mensageiro entre as células do organismo e, atualmente, muitos grupos centram a sua investigação na função que poderiam ter os exosomas em diversas doenças, entre elas o cancro.

O estudo mostra que os exosomas das células tumorais de cancro da mama (e também outros tipos tumorais, como ovário e endométrio) são diferentes em número e composição em relação às células saudáveis.

O responsável do grupo de investigação, Alberto Villanueva, do ICO-Idibell, explicou que «os exosomas tumorais contêm determinadas proteínas (Dicer, TRBP e Ago2) capazes de processar os microARN que podem alterar as células ao redor do tumor e transformá-las em tumorais».

O responsável pelo Serviço de Anatomia Patológica do Hospital Universitário de Bellvitge, August Vidal, explicou que «esta transformação tumoral depende da proteína Dicer, que poderia servir como marcador para detetar a presença de células tumorais ou como alvo terapêutico».

Os investigadores isolaram os exosomas tanto de tumores e do sangue de pacientes com cancro da mama, como do sangue de ratos com tumores crescidos depois de sua implantação na mama, chamados ortoxenogratfs.

«A descoberta abre portas para o desenvolvimento de novos biomarcadores, assim como de novas estratégias terapêuticas explorando estas características dos exosomas em tumores da mama, tumores como do ovário e endométrio, entre outros», disse Villanueva.