Um cocktail com dois anticorpos baseado numa terapia experimental para o Ébola protegeu completamente macacos da infeção letal, revela um novo estudo hoje publicado.

Em causa esteve a utilização de apenas dois anticorpos monoclonais em vez dos três usados na formulação original da terapia, produzidos em células de mamífero e não em células de plantas, o que permitiu melhorar a segurança, simplificar a produção e acelerar a aprovação da terapia, dizem os cientistas, cujo estudo foi publicado na revista Science Translational Medicine.

A epidemia de Ébola na África ocidental é a maior da doença desde que há registos, o que torna urgente a criação de medicamentos e vacinas para aquela infeção.

O estudo partiu de ensaios clínicos, em curso na África ocidental, para o medicamento ZMapp, uma combinação de três anticorpos produzida em células de plantas.

O medicamento foi administrado, ao abrigo de um programa de uso compassivo, a trabalhadores humanitários estrangeiros infetados com o Ébola na África ocidental. Alguns dos pacientes sobreviveram à infeção.

A equipa do cientista Xiangguo Qiu, da Universidade de Manitoba, no Canadá, desenvolveu uma formulação do ZMapp que usou dois dos três anticorpos, produzidos em células modificadas de ovários de hamsters chinesas.

Depois, os investigadores manipularam os anticorpos para melhor refletirem os anticorpos humanos.

Numa experiência com macacos, o cocktail com dois anticorpos protegeu todos os três animais três dias após a infeção com a estirpe Makona do vírus Ébola, responsável pelo surto atual.

Em contraste, uma formulação semelhante de ZMapp produzida em células de plantas apenas protegeu dois dos macacos.

"Tanto quanto sabemos, este é o primeiro estudo a demonstrar que um cocktail com dois anticorpos pode conferir uma proteção de 100% em primatas não humanos infetados com o vírus do Ébola", escrevem os autores do estudo

A epidemia de Ébola na África Ocidental afetou 28.637 pessoas e vitimou mortalmente 11.315 delas.

Iniciada em dezembro de 2013 na Guiné-Conacri, a epidemia propagou-se depois aos vizinhos Libéria e Serra Leoa, três países que concentraram 99% dos casos, bem como à Nigéria e Mali.

A Libéria foi o primeiro país a ser declarado "livre da transmissão" de Ébola, em maio de 2015, enquanto na Serra Leoa tal aconteceu a 07 de novembro desse ano. Na Guiné-Conacri igual anúncio foi feito a 29 de dezembro.