Cerca de 1,8 milhões de pessoas visitam com frequência blogues em Portugal e metade delas tem menos de 35 anos, segundo indica o Bareme Internet de 2015, da empresa Marktest.

Os jovens até aos 34 anos são os que têm maior afinidade com o hábito de ler bloques, de acordo com este estudo, que analisa, desde 1996, o universo de residentes no continente português com 15 e mais anos que utilizam a Internet.

Desde o aparecimento do termo ‘weblog’, ou blogue, em dezembro de 1997, e da plataforma YouTube, em 2005, os blogues e canais tornaram-se num fenómeno que atingiu brutais dimensões em todo o mundo.

Portugal tem vindo a acompanhar essa tendência do ‘online’, contabilizando cerca de 5,5 milhões de utilizadores da internet.

Destes, 4,7 milhões são utilizadores do Facebook, rede social mais usada pelos portugueses, segundo o estudo da Facestore de 2014.

Apesar de não serem quantificados os números de utilizadores do YouTube e das plataformas para blogues em Portugal, o mesmo estudo coloca o YouTube como segunda rede social mais usada pelos portugueses e o sítio Blogs Portugal contabiliza 3.539 blogues no país, sendo que esse número já deverá ter sido largamente ultrapassado desde da mais recente inscrição.

Questionado pela Lusa sobre estas estatísticas, o diretor da PR Consulting, Rui Carvalho, respondeu que o Google não dá informações de números por país, estando estas apenas disponíveis em estudos, mas sem existirem números exatos.
 

Começam como hobby e acabam como profissão


A criação do seu primeiro blogue mudou a vida a Daniela Gandra, que nunca imaginou que uma decisão tomada aos 15 anos fosse ter um impacto tão grande no seu futuro profissional.

Os potenciais visitantes do blogue de Daniela, o Ballerina Bird (http://www.ballerinabird.com/), são aos milhões em todo o mundo, mas também há muitos em Portugal – 1,8 milhões de portugueses consulta blogues, segundo o Bareme Internet de 2015, da Marktest.

O fenómeno dos blogues atingiu tais proporções que, em casos como o de Daniela, o que começou como uma ocupação dos tempos livres acabou em profissão, onde partilha com os internautas três paixões: escrita, moda e fotografia.

Aconteceu o mesmo com o Its Rapha BlueBerry (https://www.youtube.com/user/ItsRaphaBlueBerry), que surgiu da necessidade de ocupar os tempos livres de Raphael Gomes, ou ainda do Dana Pipa (https://www.youtube.com/user/DanaPipa), onde Daniela Filipa expressa a paixão pelo entretenimento.

Daniela Gandra disse à Lusa que determinadas marcas lhe pagam "para escrever uma publicação sobre elas".

“As marcas enviam produtos gratuitamente e, se eu gostar, falo sobre eles e partilho com os meus seguidores”, explicou Daniela Gandra, acrescentando que, nesta fase, já recebe diariamente e-mails de marcas que querem colaborar com o seu blogue.


Apesar de apelativa, esta nem sempre é uma profissão fácil, admitiu, pois "exige muito trabalho e dedicação e, à medida que o número de seguidores aumenta, a responsabilidade cresce".

O percurso de Raphael também começou incerto, mas já ganhou uma dimensão superior.

“Percebi isso quando me juntei ao meu ‘network’ [rede de contactos] e comecei a ver que existiam várias marcas que queriam trabalhar comigo. Quando eu publico um vídeo, sou pago pelos anúncios que passam antes ou ao lado. Outra forma como recebo é através de vídeos a promover marcas e eventos”, afirmou à Lusa Raphael. Quanto ganha? Não diz.


Mas vive deste negócio, em Londres, e já tem novos projetos para expandir a atividade, como um livro de culinária, que promove numa parte do seu canal destinada à gastronomia, ou uma recente campanha que está a desenvolver para a sucursal inglesa de uma cadeia norte-americana de 'fast food'.

Também a 'youtuber' Daniela Filipa é paga por cada visualização.

“Todos os meses se recebe uma espécie da ‘payslip’ [folha de vencimento] com todos os valores, quando se chega aos 50 dólares (cerca de 44 euros), é dada a possibilidade de passar essa quantia para uma conta ‘Paypal’ e depois para a conta bancária”.


A 'youtuber' admitiu que as coisas mudaram com as marcas, que viram nos blogues e canais uma possibilidade de se promoverem de uma forma mais rápida e mais direta ao consumidor.

“A não ser que se tenha uma grande quantidade de visualizações, não se poderia viver das mesmas. A forma de ganhar dinheiro são as parcerias com as marcas. Fazer publicidade a um produto ou cobrir um evento. A partir daí, diria que as oportunidades são infinitas”, afirmou Daniela Filipa.

Os ‘youtubers’ e ‘bloggers’, como são apelidados, tentam atualizar as suas plataformas o mais frequentemente possível, diariamente em muitos dos casos, "o que não é fácil", pois, no caso do Raphael, demora entre um e dois dias para terminar a edição de um vídeo, que pode levar até uma tarde a ser filmado.

Todos concordam que o segredo do sucesso é a personalidade de quem cria canal ou o blogue, pois é assim que chegam a um número maior de seguidores e se tornam mais influentes.

Ainda incrédulos com as percussões que o fenómeno alcançou, pretendem agora "ter esta profissão por muitos anos".