O diretor do OberCom afirmou esta quarta-feira que há uma mudança do padrão de consumo de notícias em Portugal, baseando-se num estudo que mostra que as redes sociais são a principal fonte de notícias para cada vez mais pessoas.

O Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo apresentou esta quarta-feira, em Lisboa, o Digital News Report, um inquérito aplicado em 26 países, entre os quais Portugal, para comparar hábitos de consumo de notícias no mundo, e que contou no país com a participação do OberCom – Observatório da Comunicação, enquanto parceiro estratégico para a análise da situação portuguesa.

“Assistimos a um crescimento muito grande do número de pessoas que buscam notícias nas redes sociais, em particular no Facebook, isso também ligado ao aumento da utilização de telemóveis e de ecrãs mais pequenos. Estamos a passar de uma descida de utilização de notícias em computador, de secretária ou ‘laptop’ [computador portátil], para o consumo de notícias em ‘smartphones’ [telefones inteligentes]”, apontou o diretor do OberCom, Gustavo Cardoso.

Os dados chave para Portugal mostram que os media sociais estão a ganhar peso nos hábitos noticiosos dos portugueses, sendo que 15,9% dizem ser esta a sua principal fonte de notícias, o que representa um aumento de 4,1% face a 2015.

Apesar de utilizarem cada vez mais as redes sociais para aceder a notícias, os portugueses ainda não fazem deste recurso a sua principal forma de acesso, continuando a televisão a ser um pilar fundamental no seu quotidiano informativo, ao ser utilizada por 52,5% dos inquiridos, menos 2,5% em termos homólogos.

A Internet surge em segundo lugar, com 34,7%, o que corresponde a uma subida de 1,7% face a 2015.

“Somos um país de televisão para [a consulta de notícias], depois somos um país de imprensa e de escrita, mas a internet e as redes sociais vieram baralhar um pouco aquilo que era tradicionalmente a lógica daquilo que era a nossa relação com as notícias”, disse.

No que diz respeito às redes sociais mais utilizadas, o Facebook é usado por 62,7% dos inquiridos para a consulta de notícias, seguido da plataforma de Youtube, que ainda assim viu a sua percentagem de utilizadores a cair quase 10 pontos percentuais entre 2015 e 2016.

Gustavo Cardoso apontou ainda algumas curiosidades sobre a situação de Portugal.

“O nosso grupo devia ser o dos países do sul da Europa, nomeadamente ao nível da confiança nas notícias, nas empresas produtoras de notícias e nos jornalistas. E aquilo que verificamos é que somos muito diferentes de Espanha, França e Itália e estamos muito mais próximos da Escandinávia em termos do nível de confiança de notícias”, disse.

Por exemplo, o nível de confiança “é muito mais parecido com o de países como a Suécia do que do de países como a Espanha”, sendo mais elevado do que nos países do sul.

Mas também no caso do pagamento de notícias "online" o padrão português está mais próximo do de alguns países do norte, como o Reino Unido, embora seja necessário dizer que tal depende do valor que se paga, explicou Gustavo Cardoso.

“Temos mais gente de 2015 para 2016 a pagar notícias [‘online’], deixamos de ser um dos países com menos utilizadores de internet a pagar por notícias”, afirmou Gustavo Cardoso, adiantando que em Portugal houve um crescimento de 2,1 pontos percentuais entre o ano passado e este ano, de 7% para os 9,1%, um indicador que continua a estar ainda assim bastante abaixo do de países como a Alemanha ou os Estados Unidos.