Antepassados humanos podem ter servido de alimento para animais carnívoros como as hienas, há 500 mil anos, revela um estudo publicado esta terça-feira na revista PLOS ONE.

Marcas de dentes num fémur de um esqueleto de um hominídeo, encontrado numa gruta perto de Casablanca, em Marrocos, indiciam que foi consumido por estes animais, segundo uma equipa de investigadores do Museu Nacional de História Natural de França.

De acordo com os cientistas, as marcas podem ter sido feitas por hienas, pouco tempo depois da morte do hominídeo.

Contudo, não é possível concluir se o osso foi comido após a hiena ter atacado o hominídeo, ou se foi recolhido pelo animal, como 'lixo', pouco depois da morte do hominídeo, noutras circunstâncias.

Durante o período do Pleistoceno Médio, os antepassados humanos competiam, pelo mesmo espaço e pelos mesmos recursos, com animais carnívoros, refere uma nota da PLOS ONE.

Os autores do estudo examinaram o fémur e detetaram várias fraturas e marcas de dentes, indicativas da mastigação de animais carnívoros, como hienas.

As marcas foram encontradas nas extremidades do fémur, as partes mais macias do osso, que foram completamente esmagadas e estavam cobertas por sedimentos, o que sugere que são muito antigas.

Para os investigadores, trata-se da primeira evidência de que humanos ancestrais seriam uma fonte de alimento para animais carnívoros, no Pleistoceno Médio.

Dependendo das circunstâncias, os hominídeos podem ter sido, neste período, caçadores e presas, assinala a nota da PLOS ONE.

Apesar de os confrontos entre antepassados humanos e grandes predadores, neste período [Pleistoceno Médio], no Norte de África, terem sido comuns, a descoberta é um dos poucos exemplos de que o consumo de hominídeos por carnívoros está provado", sustentou a coordenadora da equipa de investigadores, Camille Daujeard.