Uma rapariga australiana, que fazia parte do grupo de pessoas com mais seguidores no Instagram, está a expor os segredos por trás das fotografias perfeitas na rede social. Essena O'Neill criou um movimento, como forma de protesto à hipocrisia nas redes sociais, que descreve como “uma perfeição forjada para receber atenção”.

A jovem de 18 anos tinha mais de 612.000 seguidores no Instagram e, segundo a própria, conseguia lucrar “2.000 dólares por publicação facilmente”. Mas, mesmo assim, Essena O'Neill decidiu apagar as 2.000 fotos que tinha na conta, assim como o canal do Youtube e o blog, que tinha desde o início da adolescência. 

Ao invés, mudou a conta no Instagram,  essenaoneill, para desmistificar as fotos que publicou durante tantos anos e que receberam tanta atenção por parte de outros utilizadores. Na descrição, Essana escreveu: “As redes sociais não são a vida real”.

Tudo porque se apercebeu que, assim como grande parte da sua geração, tinha ficado viciada nas redes sociais e que, apesar de se ter conseguido sustentar sozinha com o dinheiro dos patrocínios que angariou e as oportunidades para tornar-se modelo, em Los Angeles, sempre tinha sido infeliz.
 

“Eu apaixonei-me pela ideia de que poderia ter valor para as outras pessoas. Vamos chamar-lhe um vício em bola de neve para que os outros gostassem de mim. Fiquei viciada no que os outros pensavam de mim, simplesmente porque estava tão prontamente disponível. Eu estava severamente viciada. Acreditava que a quantidade de ‘gostos’ e de seguidores que tinha estavam relacionados com a quantidade de pessoas que gostavam de mim”, escreveu.


Numa das publicações mais recentes, onde pode ver-se uma imagem de uma televisão com a frase “somos uma geração a quem lavaram o cérebro”, Essena anunciou que decidiu desistir das redes sociais porque esta é “uma máquina de forjar imagens e vídeos editados que se medem uns aos outros. É um sistema baseado na aprovação social, gostos, validação em visualizações e sucesso em seguidores”.


Para além disto, há ainda fotografias em que a jovem narra o processo para conseguir atingir a perfeição.
 

“Isto não é a vida real. Tirei cem fotos em poses semelhantes para que o meu estômago parecesse bonito. Mal comi nesse dia”.

  


“A obsessão pela aparência física”, que diz ter sido uma das consequências que o sucesso lhe trouxe, fez com que passasse grande parte do dia preocupada com o que comia e o que vestia. Mas também lhe trouxe mais dinheiro. Em várias fotos partilhadas, Essana explica porque algumas fotografias foram tiradas. Na maioria das vezes, simplesmente por razões monetárias.









 

Outras imagens são acompanhadas de pensamentos que a jovem teve enquanto publicava as fotografias no Instagram.

“Por favor gostem da minha foto. Eu pus maquilhagem, encaracolei o cabelo, pus um vestido justo, bijuteria pesada… tirei 50 fotografias até ter uma que achei que pudessem gostar. Depois editei esta selfie durante séculos com várias aplicações – só para sentir alguma aprovação social vossa”.  

  




A jovem divulgou também um vídeo no Youtube, que entretanto já foi retirado, a explicar o quão sem sentido a sua vida se tinha tornado e como as redes sociais a tinham aprisionado. Fala sobre “como passava todos os dias a olhar para um ecrã”, a comparar-se com os outros.

A modelo colocou também um vídeo no Vimeo, sobre a razão do ódio súbito pelas redes sociais.


Why I think social media sucks from Essena O'Neill on Vimeo.


A coragem de Essana está a tornar a conta popular por todo o mundo. Com 96 publicações, cada uma com milhares de “gostos”, a jovem já conseguiu chegar aos 716.000 seguidores, um número ainda maior do que tinha antes.