Utilizadores comuns da Internet, norte-americanos e também estrangeiros, são os mais vigiados pela Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos a partir de redes digitais, de acordo com uma investigação de quatro meses do «The Washington Post».

Nove em cada 10 titulares de contas digitais com conversas intercetadas eram cidadãos comuns, segundo os dados entre 2009 e 2012 fornecidos ao jornal pelo ex-agente da NSA, o americano Edward Snowden, atualmente asilado na Rússia.

A investigação durou quatro meses e vem ao encontro do que um responsável da NSA já admitira em abril, quando reconheceu que a agência recolheu dados de cidadãos norte-americanos sem autorização legal.

Segundo o «W. Post», entre os conteúdos mais valiosos para a NSA (que o jornal não revelou em detalhe para proteger operações) estão identidades de hackers poderosos, que têm atacado computadores americanos, um projeto nuclear estrangeiro e revelações de um «jogo-duplo» de um aparente aliado dos EUA.

O jornal revela, ainda, dois casos importantes que a vigilância ajudou a resolver: a captura de Muhammad Tahir Shazad e Umar Patek, um bombista paquistanês capturado em 2011 e um homem ligado aos ataques terroristas de 2002 em Bali, na Indonésia, respetivamente. Ambos foram encontrados depois de vários meses de investigação a mais de 50 contas de utilizadores.

Porém, outros ficheiros intersetados, considerados inúteis pelas autoridades norte-americanas, envolviam conversas íntimas, «histórias de amor», conversas de cariz sexual, crises de saúde mental, conversas sobre política e religião e problemas financeiros. São as vidas diárias de mais de 10 mil pessoas, que de nada servem à NSA, mas estão guardadas «por segurança».