É a primeira vez na História que um módulo espacial pousa no núcleo de um cometa. Philae, o robô que se desprendeu da sonda Rosetta esta quarta-feira de manhã, efetuou em cerca de sete horas a viagem de 22,5 quilómetros até à superfície do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, onde pousou com sucesso numa área de apenas um quilómetro quadrado, batizada como Agilkia.

A operação de contacto com o 67P/Churyumov-Gerasimenko correu como previsto e o Philae pousou e fixou-se no chão com dois arpões. O sinal que confirmou o sucesso da operação chegou à Terra cerca de 28 minutos depois, após atravessar cerca de 500 milhões de quilómetros.

Para além de fotos, Philae irá recolher dados para o primeiro estudo detalhado de um cometa realizado no próprio local. Os dados serão enviados para a sonda Rosetta, que os reenviará para a Terra, durante os 17 meses que ficará em órbita.


Sonda Rosetta tira «selfie» épica com cometa (Reprodução)


O «divórcio» entre a nave e a sonda, que viajavam e viviam juntas desde 2 de março de 2004, aconteceu no momento previsto pelos cientistas, às 09:03 GMT (08:03 de Lisboa). A queda do Philae, que pesa 100 kg, representa um dos projetos mais ambiciosos da história da exploração espacial.

No centro de controlo desta missão da AEE, em Colónia, na Alemanha, onde se registou a aterragem do Philae no cometa com quatro quilómetros de diâmetro, bateram-se palmas, deram-se abraços, rejubilou-se de alegria com o sucesso da primeira aterragem de sempre de um engenho espacial na superfície de um cometa.



Philae tirou esta fotografia ao afastar-se de Rosetta (Reprodução)


O material que a sonda Philae vai analisar no primeiro contacto deste tipo dará informações sobre como a Terra e outros planetas se formaram. A missão da Rosetta termina a 31 de dezembro de 2015. Até essa data, a sonda irá continuar a observar a atividade do cometa na viagem em direção ao Sol e investigar como é que ele irá comportar-se quando se aproximar da estrela-mãe do nosso sistema planetário. 

Esta missão da Agência Espacial Europeia «é um grande novo desafio para engenheiros e cientistas» e um marco na conquista do espaço, refere o jornal espanhol «El País».



Robô Philae a caminho do cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko (Reprodução)



A sonda Rosetta foi batizada em homenagem à Pedra de Roseta, o fragmento de uma estela do Antigo Egito que permitiu a decifração dos hieróglifos egípcios. Philae recebeu o nome da ilha onde foi encontrado um obelisco que também contribuiu para essa decifração.