O Observatório Europeu do Sul (OES) aprovou a construção do maior telescópio do mundo, em duas fases, com a primeira, de cerca de mil milhões de euros, a cobrir os custos da estrutura principal, operacional previsivelmente em 2024.

A aprovação, com um voto positivo, entre 11, de Portugal, um dos Estados-Membros da organização, decorreu na quarta-feira, na reunião do Conselho do OES, indicou hoje à Lusa a entidade.

A construção do Telescópio Europeu Extremamente Grande (European Extremely Large Telescope, E-ELT), um telescópio ótico e infravermelho com um espelho segmentado de 39,3 metros de diâmetro, já tinha sido decidida em junho de 2012, mas com a condição, efetivada na quarta-feira, de que os contratos superiores a dois milhões de euros apenas seriam aprovados quando «o valor total do telescópio (1.083 milhões de euros, em 2012) estivesse financiado a 90%», informa o OES, em comunicado.

O maior contrato, para a construção da cúpula do telescópio e da estrutura principal, será atribuído no fim de 2015, adianta a nota.

Excecionalmente, os trabalhos de terraplenagem e construção de acessos ao local onde vai ser instalado o telescópio, no Cerro Armazones, no deserto chileno do Atacama, começaram em junho, com a explosão do topo da montanha, muito embora o início da construção da estrutura do telescópio tivesse sido apontado pela tutela portuguesa para finais de 2013, ano em que Portugal confirmou a sua participação na empreitada.

Segundo o OES, a adesão da Polónia à organização, cujo acordo foi assinado em outubro, permitiu que os fundos atribuídos ao E-ELT tivessem atingido mais de 90% do custo total da primeira fase, a mais importante, e com a qual o Observatório espera ter «um telescópio completamente operacional». Os restantes 10% do custo da estrutura foram transferidos para uma segunda fase.

A contribuição financeira de Portugal diretamente para o European Extremely Large Telescope, determinada em função da quota que o país tem na organização, ronda os 5,1 milhões de euros, pagos ao longo da sua construção.

O telescópio permitirá estudar detalhadamente os primeiros objetos do Universo, planetas em órbita de outras estrelas, buracos de massa extremamente elevada e a natureza e a distribuição da matéria escura e da energia escura, assim como caraterizar planetas extrassolares com a massa da Terra.

As estimativas do OES apontam para a operacionalidade do telescópio, com uma «série de poderosos instrumentos e com a primeira luz», dentro de dez anos.

A construção dos componentes do telescópio que ficam de fora da primeira fase, como um conjunto sobresselente de segmentos do espelho principal, irá, de acordo com o Observatório Europeu do Sul, «sendo aprovada à medida que fundos adicionais se tornarem disponíveis, incluindo os que se preveem vir do Estado-Membro vindouro, o Brasil», cuja adesão aguarda ratificação pelo país.