Uma equipa internacional de cientistas analisou um buraco negro que tem 660 milhões de vezes a massa do Sol e uma nuvem de gás que o circunda a 1,7 milhões de quilómetros por hora.

Liderados por Aaron J. Barth, da Universidade da Califórnia, os cientistas estudaram o buraco negro, que se encontra no centro de uma galáxia chamada NGC1332, a 73 milhões de anos-luz da Terra, com recurso ao Grande Conjunto Milimétrico/Submilimétrico de Atacama (ALMA, na sigla em inglês), o maior projeto astronómico do mundo.

O ALMA, um telescópio com 66 antenas localizado a cerca de 5.000 metros de altitude no Chile, permitiu aos cientistas medirem o buraco negro com uma precisão sem precedentes, pode ler-se num comunicado sobre o artigo, publicado hoje na revista Astrophysical Journal Letters.

Os buracos negros, os mais massivos dos quais estão normalmente nos centros das galáxias, são tão densos que a sua gravidade atrai tudo o que se encontre próximo, incluindo a luz, explicou Andrew J. Baker, da Universidade Rutgers, em Nova Jérsia, citado no comunicado.

Um buraco negro forma-se quando a matéria, muitas vezes após a explosão de uma estrela, se condensa pelo efeito da gravidade.

Os buracos negros supermassivos no centro de galáxias massivas brilham ao engolir gás, estrelas e outros buracos negros.

No entanto, explicou Baker, "só porque existe um buraco negro na vizinhança, não significa que funcione como um aspirador cósmico".

As estrelas podem aproximar-se de um buraco negro sem serem engolidas, desde que se mantenham em órbitas estáveis e se movam suficientemente depressa, acrescentou o investigador.

Os cientistas acreditam que todas as galáxias massivas têm um buraco negro a massivo no centro. "A ubiquidade dos buracos negros é um indicador da profunda influência que têm na formação das galáxias em que vivem", disse Baker.

Compreender a formação e evolução das galáxias é um dos maiores desafios da astrofísica moderna e para entender como as galáxias se formam e evoluem, é preciso entender os buracos negros, pois os crescimentos das galáxias e dos seus buracos negros estão coordenados, afirmou.

Para compreender os buracos negros, é importante medir a sua massa exata, o que permite aos cientistas saber se o buraco negro está a crescer mais ou menos depressa do que a sua galáxia.

Para medir o buraco negro no centro da NGC 1332, os cientistas utilizaram as observações de alta resolução captadas pelo ALMA de um disco gigante de monóxido de carbono que orbita o buraco e mediram também a sua velocidade.

Este é um caso em que os novos instrumentos nos permitiram concretizar um avanço importante em termos do que podemos dizer cientificamente", disse Baker, sublinhando que a caracterização da massa dos buracos negros tem sido uma área de investigação muito ativa nos últimos 20 anos.

Os autores do estudo já apresentaram uma proposta para usar o ALMA para observar outros buracos negros.