Investigadores descobriram anéis em redor do asteroide Chariklo, que o tornam no primeiro do género com estas características, até agora identificadas apenas nos planetas Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno, informou esta quarta-feira o Observatório Europeu do Sul (OES).

Trata-se de dois anéis, densos e estreitos, cuja origem poderá estar numa colisão que criou um disco de detritos, segundo a nota à imprensa do OES.

Os anéis do asteroide foram descobertos a partir de observações obtidas em vários locais da América do Sul, incluindo o Observatório de La Silla do OES, no Chile, e efetuadas quando o corpo rochoso passava em frente a uma estrela.

O Chariklo é, até agora, o corpo celeste mais pequeno do Sistema Solar a apresentar anéis em seu redor e o quinto com esta característica, depois dos planetas, muito maiores, Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno, precisa o OES.

«Não estávamos à procura de anéis, nem pensávamos que pequenos corpos como o Chariklo os poderiam ter, por isso esta descoberta - e a quantidade extraordinária de detalhe deste sistema - foi para nós uma grande surpresa», assinalou o físico Felipe Braga-Ribas, do Observatório Nacional/MCTI, no Brasil, que preparou a campanha de observações e é o principal autor do artigo científico que descreve estes resultados, publicados na edição online da revista Nature.

A equipa de investigadores liderada por Braga-Ribas descobriu que o sistema é composto por dois anéis «bastante confinados», com três e sete quilómetros de largura, separados entre si «por um espaço vazio de nove quilómetros», em torno de um corpo rochoso com 250 quilómetros de diâmetro, que «orbita para lá da órbita de Saturno».

Chariklo é visto como o maior membro de uma classe de objetos celestes conhecidos por Centauros, que orbitam o Sol, entre Saturno e Urano.

De acordo com Felipe Braga-Ribas, é provável que o asteroide tenha também, pelo menos, «um pequeno satélite à espera de ser descoberto».

Os anéis, segundo o OES, poderão dar origem à formação de um satélite, o que, «a uma escala muito maior, pode explicar a formação da Lua nos primeiros dias do Sistema Solar, assim como a origem de muitos outros satélites em órbita de planetas e asteroides».

A equipa que conduziu a investigação deu aos anéis de Chariklo os nomes informais de Oiapoque e Chuí, dois rios que se localizam próximo dos extremos norte e sul do Brasil.