O Universo pode estar a expandir-se mais rápido do que o esperado, informou esta quinta-feira a agência espacial europeia ESA, citando um estudo de astrónomos que mediram, com maior precisão, as distâncias das estrelas em 19 galáxias.

A equipa, liderada pelo astrofísico norte-americano Adam Riess, Prémio Nobel da Física em 2011, socorreu-se, para os seus cálculos, de imagens captadas pelo telescópio espacial Hubble, operado pela ESA e pela congénere norte-americana NASA.

Segundo um comunicado da ESA, os cientistas "descobriram que o Universo está, atualmente, a expandir-se mais rápido do que o ritmo derivado de cálculos feitos do Universo, pouco depois do Big Bang", que marca o início do Universo.

A nota refere que "esta aparente inconsistência pode ser uma importante pista para compreender três compostos do Universo": a matéria escura, a energia escura e os neutrinos (partículas sem carga elétrica e que têm uma fraca interação com a matéria).

O Universo tem cerca de 14 mil milhões de anos, sendo que apenas cinco por cento dele é visível. O restante, não observável diretamente, porque não emite luz, é composto por matéria escura e energia escura.

A equipa de Adam Riess, laureado com o Nobel pela descoberta da expansão acelerada do Universo, defende que o Universo está a expandir-se cinco a nove por cento mais rápido do que se pensava.

Para tal, os investigadores refinaram os cálculos de como quão rápido o Universo está a expandir-se, com uma precisão sem precedentes, reduzindo a incerteza para 2,4 por cento.

Os novos cálculos representam um quebra-cabeças, uma vez que não batem certo com a taxa de expansão do Universo (a constante de Hubble) obtida a partir dos breves instantes após o Big Bang.

Cálculos anteriores, feitos nomeadamente com base em imagens captadas pelo satélite espacial europeu Planck, davam estimativas mais pequenas para a constante Hubble, definida pelo astrónomo norte-americano Edwin Powell Hubble (1889-1953).

Uma provável explicação para a expansão rápida do Universo é a existência de um novo tipo de partícula subatómica, que, de acordo com os cientistas, pode ter alterado o equilíbrio da energia nos primórdios do Universo, a chamada radiação escura (que possivelmente medeia a interação de partículas da matéria escura).

A equipa de Adam Riess, da Universidade Johns Hopkins e do Space Telescope Science Institute, nos Estados Unidos, conseguiu aprimorar a taxa da expansão do Universo mediante cálculos mais precisos das distâncias às galáxias mais próximas e longínquas da Terra.

Os astrónomos continuam a usar o telescópio Hubble com o propósito de reduzir ainda mais a incerteza na constante de Hubble, até um por cento.

Investigadores creem que outros telescópios em funções, como o Gaia, e futuros, como o James Webb, sucessor do Hubble, e o E-ELT, que será o maior telescópio ótico do mundo, os poderão ajudar na tarefa de melhorar os cálculos da taxa da expansão do Universo.