Um grupo de cientistas divulgou esta quarta-feira mais dados sobre o epigenoma humano, que regula todas as mudanças nos genes que desempenham um papel importante no desenvolvimento e no aparecimento de doenças.

O «primeiro mapa exaustivo do epigenoma de um grande número de células humanas» foi divulgado esta quarta-feira na revista «Nature» e inclui 20 estudos de investigadores que participam no programa «Epigenomics», lançado em 2006 pelos Institutos Nacionais de Saúde.

Depois do genoma humano ter sido sequenciado, os cientistas pretendem agora perceber como a ativação dos genes pode ser influenciadas pela dieta alimentar e pelo meio ambiente.

O mecanismo passa pela epigenética: uma espécie de etiquetas químicas ligadas ao ADN, o código genético herdado para fazer e sustentar a vida.

Aquelas etiquetas não alteram os genes, mas influenciam se determinados genes estão ligados ou desligados, o que, por sua vez, influência como a células são e agem.

De acordo com os cientistas, cada vez há mais evidências de que os epigenomas desempenham um papel em doenças como o cancro, Alzheimer, autismo e cardíaca e parece que deixam de funcionar com a idade ou pelas escolhas de vidas, nomeadamente devido ao consumo de tabaco e pela dieta alimentar.

Os estudos hoje divulgados descrevem os epigenomas de 111 diferentes tipos de células, incluindo do cérebro, músculos, fígado, pele e de células fetais.

Os novos estudos juntam-se aos anteriores 16, divulgados em 2012.

Para os cientistas, o banco de dados vai ajudar a compreender porquê que o código genético – que com algumas exceções é o mesmo em todas as células - se expressa de uma maneira tão diferente.

«Isto representa um grande avanço para entender como três biliões de letras do livro de instrução do ADN de um indivíduo estão habilitadas para comandar diferentes atividades moleculares», afirmou Francis Collins presidente dos Institutos Nacionais de Saúde norte-americanos, que fundou o programa dos epigenomas.

Cientistas da Escola Médica de Harvard, em Massachusetts, mostram, pelo seu lado, que a assinatura genética única de uma célula de cancro pode vir a ser usada para identificar a célula de origem de um tumor.

Outros cientistas têm explorado a posta epigenética na doença de Alzheimer em ratinhos, enquanto o Imperial College de Londres identificou 34 genes envolvidos na asma e em outras alergias.

«Não é apenas o código genético que pode influenciar a doença. A maneira como os genes são lidos pode desempenhar um papel mais importante», afirmou William Cockson, do Imperial College de Londres.