Cientistas norte-americanos estão a ponderar utilizar tecnologias robóticas em situações de emergência e desastres, como por exemplo para ajudar a conter a epidemia de Ébola.

Um robô que pode executar algumas das tarefas de um ser humano, como a remoção de resíduos ou o enterro dos corpos, teria potencial para salvar vidas significativas. No entanto, os cientistas dizem que o problema é que a tecnologia ainda é limitada no campo da Medicina. Enquanto os robôs podem desarmar bombas e conduzir carros, ainda estão a dar apenas os primeiros passos para conseguirem atingir níveis humanos de destreza necessários na área da Saúde.

«Tal como aconteceu com o caso em Fukushima, a crise do Ébola em África revelou uma falha significativa entre as capacidades do robô e o que é necessário no domínio de desastres e assistência humanitária», disse Gill A. Pratt, um especialista em robôs, gerente do programa federal Defense Advanced Research Projects Agency. «Temos a obrigação moral de tentar selecionar, adaptar e aplicar a tecnologia disponível onde ela pode ajudar, mas também devemos analisar a dificuldade do problema», acrescentou.

Muitos dos países que foram fortemente atingidos pelo Ébola não estão em condições de implantar o uso de robôs, mas os modelos rudimentares são bastante utilizados em ambientes médicos nos Estados Unidos.

A empresa InTouch Health construiu um robô que percorre corredores do hospital, guiado por um médico através de um controlo remoto, que «vê» através de um dispositivo conectado à Internet. Normalmente é usado para observar pacientes com o auxílio de vídeo de alta qualidade e áudio.

«O telefone tocou continuamente nas últimas semanas», disse Yulun Wang, presidente-executivo da InTouch Health, um fabricante de robôs de telepresença utilizados em hospitais para diagnóstico de AVC e outras tarefas médicas. «Eles adquiriram as nossas soluções com um propósito muito diferente e agora estão a perguntar se são aplicáveis para os cuidados de Ébola», explicou Wang.

Clientes como o Hospital Universitário Robert Wood Johnson e o Hospital Baylor University perguntam se os robôs podem ser usados para ajudar a diagnosticar a infeção Ébola, sem a presença humana, ou para facilitar a visita virtual de familiares aos pacientes em isolamento.

Mas só agora é que começam a aparecer, em laboratórios, robôs que se movem sem orientação humana. Um robô que poderia trabalhar em contato direto com o paciente, substituindo um enfermeiro ou um médico, ainda vai demorar alguns anos. 

Os cientistas, com a ajuda do Departamento de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, estão a planear uma série de reuniões para debaterem a possibilidade. A primeira será realizada dia 7 de novembro.