Quando Thomas Midgley Jr. inventou, na década de 20, o aditivo de chumbo para a gasolina utilizado nos automóveis, além de alguns dos CFC utilizados em aerossóis, o seu trabalho foi acatado como de grande importância científica, tendo o inventor recebido vários prémios pelo seu trabalho.

Só mais tarde se viria a descobrir que Midgley teve «mais impacto na atmosfera do que outro organismo na história da Terra», palavras do historiador ambiental J. R. McNeill.

Midgley ficaria conhecido como o «homem que matou mil milhões de pessoas», devido aos malefícios para a saúde da exposição ao chumbo libertado na atmosfera mundialmente, e dos danos causados pelos CFC na camada do Ozono.

Agora é preciso reverter este processo. E a maioria da comunidade mundial está interessada em retroceder os danos causados ao planeta, não só pelas invenções de Midgley, mas principalmente pela utilização de combustíveis fósseis para criação de energia.

Portugal está, no entanto, no top 10 mundial de uso de energias limpas (dados de 2012), com 70% da energia consumida a nível nacional a provir de fontes renováveis, segundo dados da REN, relativos ao primeiro trimestre deste ano, e que foram esta quinta-feira referidos num artigo do jornal The Guardian.

Significam estes números que a energia eólica (25% do consumo), a energia provinda de barragens (cerca de 36%), a solar, a biomassa e até a energia das ondas (produto inovador a nível mundial instalado no fundo do mar ao largo de Peniche) podem vir a sustentar o setor energético português se assim se entender.

A produção de energias renováveis, uma das bandeiras dos mandatos de José Sócrates, cresceram dos 38% de 2008, segundo estudo da APREN (associação das energias renováveis), para os 70 de hoje, com o norte e centro do país responsáveis pela maioria da energia gerada pelo vento, o sul encarregue da maioria da produção solar, e o litoral e arquipélagos responsáveis pela maioria da energia gerada pelo mar.

No dia 6 deste mês a EDP Renováveis conseguiu um contrato na Califórnia, EUA, para abastecer aquela zona com 100 mega Watts durante 20 anos, a juntar ao contrato de julho, para abastecer igualmente o estado de Oklahoma.

A lembrar também, a fábrica de turbinas eólicas que estava nos planos da CTG, empresa que comprou a parte do Estado português na EDP, que poderia gerar uma fonte de riqueza ao nosso país e ainda não foi descartada pela empresa chinesa.

Portugal deu também um salto no setor automóvel, estando já disponíveis vários modelos de carros completamente elétricos, hoje mais apelativos que os primeiros modelos lançados há uns anos.

Carros como o desportivo «Model S», da Tesla, conseguem já uma autonomia de 480km com uma única carga, que alimenta um motor de 410cv e vai dos 0 aos 100km/h em apenas 4.3 segundos. E se o seu problema é os pontos de carga, saiba que existem 1300, normais (6-8 horas), e 50 postos rápidos (de 20/30 minutos) em todo o país.

Por falar em carros, o projeto que está em desenvolvimento na cidade da Covilhã, onde está a ser testado um captador de energia cinética de automóveis que irá alimentar os semáforos e luzes de uma avenida da cidade.

O projeto da empresa, waydip, desenvolvido por dois ex-alunos da UBI, Francisco Duarte e Filipe Casimiro, consiste numa espécie de mosaico que capta a energia produzida pelo andar das pessoas, e dos carros, quando pisado.

Estamos, por isso, mais além das meras lâmpadas económicas e dos carros híbridos disponíveis na década passada. Na semana em que se anunciou a produção de um carro que gasta apenas um litro de gasolina aos 100km, de um drone que consegue manter-se a uma altitude de quase 20km durante 5 anos sem gastar um único litro de combustível, e um mês depois do anúncio de um barco movido a energia solar, é possível pensar que num futuro próximo estaremos livres dos combustíveis habituais. E Portugal parece estar pronto para acompanhar o resto do mundo