Engenheiros mecânicos da Califórnia julgam ter encontrado uma forma de aproveitar a energia das ondas e das marés, com uma eficácia capaz de sustentar cidades inteiras, sem necessidade de recorrer a outras fontes de eletricidade, e de garantir também toda a água potável necessária. É uma espécie de tapete submarino que aproveita o movimento dos oceanos.
 
Este «tapete» poderá muito bem ser, no futuro, uma forma de fornecer eletricidade e água potável às cidades costeiras de todo o mundo. Num laboratório da Universidade da Califórnia, em Berkeley, o engenheiro mecânico Reza Alam acredita que o futuro das energias renováveis está debaixo de água.

«Uma das vantagens da energia das ondas sobre outras formas de energia renovável é a sua previsibilidade», diz Reza Alam.

 
E é essa previsibilidade que faz da energia das ondas e das marés uma opção tão interessante. Foi, de resto, o que o inspirou a desenvolver este «tapete de ondas».
 
O constante enrolar e desenrolar das águas produz pressão hidráulica que pode ser bombeada para a costa e alimentar turbinas. Toda essa energia pode depois ser convertida em eletricidade ou em água potável.
 

«O nosso aparelho tem a mais-valia de não tentar produzir logo electricidade. Podemos escolher entre a produção de água potável ou a produção de energia», afirma o engenheiro mecânico Marcus Lehmann.

Para produzir água potável a equipa recorre ao processo de osmose inversa: a água é canalizada sob pressão através de membranas que extraem o sal da água do mar. Os engenheiros garantem que uma versão aumentada deste tapete poderia ser o suficiente para sustentar as cidades costeiras.
 

«De uma forma geral, a energia disponível nas ondas do mar representa 15% das necessidades energéticas globais - o que é bastante», sublinha Lehmann.

 
Os investigadores querem igualmente garantir que não prejudicam os ecossistemas marinhos. Por isso, pretendem começar por fazer os seus testes em zonas mortas do oceano, ou seja, em áreas sem oxigénio suficiente para suportar a vida marinha.
 

«Instalar um tapete no fundo dessas zonas é totalmente seguro para o meio ambiente» refere Alam.

 
Alam calcula que apenas um metro quadrado de tapete poderia gerar eletricidade suficiente para abastecer duas casas norte-americanas. Multiplique-se isso pelos milhares de quilómetros de costa existentes em todo o mundo e os cientistas acreditam que cidades inteiras poderiam aproveitar esta maré de energia inesgotável ao nosso dispor.