As condições meteorológicas desta sexta-feira de manhã condicionavam a visibilidade do eclipse solar no Porto, mas nada afastou centenas de pessoas do Planetário, onde se formaram filas junto dos telescópios só «para ver este fenómeno de especial interesse».

No exterior do Planetário do Porto estavam, pelo menos, sete telescópios disponíveis para os muitos curiosos, de todas as idades, que esta manhã se deslocaram de propósito ao local para assistir ao eclipse solar, que pelas 09:04 atingiu o seu pico, com a lua a tapar o sol em cerca de 72%.

E além de olharem para o sol com óculos, filtros especiais ou através dos telescópios, muitos foram aqueles que quiseram registar o momento com o seu telemóvel, criando mesmo uma fila junto a uma câmara de um canal de televisão que estava no local apontada para o eclipse, para fotografar o seu visor, no qual aparecia «o sol trincado».

Ricardo Reis, astrofísico do Planetário do Porto, não tem dúvidas de que esta foi «a primeira vez» que assistiu a um «tão grande registo de imagens do eclipse».

Questionado a comentar como será feita a observação do eclipse solar em agosto de 2026, ano em que vai ser visível em Portugal a lua esconder o sol em «mais de 90%», Ricardo Reis respondeu que essa é «uma resposta que os astrónomos andam à espera há 400 anos», desde que Galileu Galilei apontou uma luneta para o céu e descobriu as manchas solares, o relevo lunar e as luas de Júpiter.

«Aguardamos que alguém invente um telescópio que nos permita ver através das nuvens», concluiu Ricardo Reis.

E enquanto fora do Planetário as pessoas assistiam ao vivo ao eclipse, lá dentro estava a ser exibida uma simulação do mesmo, com a possibilidade de se «levantar voo da cidade a sair da Terra, observando-o como se se estivesse num satélite ou enquanto astronauta, em que se vê o planeta a rodar o sol», declarou à Lusa.