Um novo teste experimental de análises saguíneas permitiu detetar precocemente oito formas comuns de cancro, em 70% dos casos. O CancerSEEK foi publicado na revista Science, e permite encontrar mutações genéticas associada à doença.

Uma equipa de investigadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, testou o CancerSEEK em mais de mil pacientes, com o objetivo de encontrar mutações em 16 genes e determinadas proteínas associadas ao cancro.

As percentagens são bastante prometedoras, mas um dos investigadores alertou, citado pela BBC, para a necessidade da realização de mais testes para avaliar a eficácia do método na deteção e prevenção do cancro em fase inicial.

Isto pode ter um impacto enorme na taxa de mortalidade do cancro. Quanto mais cedo for detetado, maior serão as probabilidades de sucesso no tratamento”, disse à BBC o médico Cristian Tomasetti, da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins.

Tomasetti refere que encontrar os tumores quando ainda existe a possibilidade de remoção cirúrgica seria uma diferença “da noite para o dia” quanto à sobrevivência dos pacientes.

Nas 1.005 amostras recolhidas, a taxa de deteção variou entre 33 e 98%, dependendo do tipo de cancro. 

Nos cancros dos ovários, fígado, estômago, pâncreas e esófago, que são os mais difíceis de detetar, o teste funcionou em 69% dos casos.

De acordo com os investigadores, "é muito baixa" a probabilidade de haver falsos positivos com este teste.

Demonstrar que um teste pode detetar cancros em estado avançado não significa que seja útil a detetar cancros em fase inicial”, referiu Paul Pharoah, professor de epidemiologia do cancro na Universidade de Cambridge, afirmando que será preciso mais estudo para avaliar o desempenho do teste em cancros que não estão em fase avançada.

O CancerSEEK pode servir de complemento a outros testes de diagnóstico da doença, como mamografias ou colonoscopias. A inovação está no facto do teste não procurar só por mutações no DNA, mas também em proteínas.

O principal objetivo da equipa de investigação, que já pediu a patente, é detetar os cancros antes de surgirem os sintomas. O teste pode custar cerca de 400 euros, de acordo com os investigadores.