Os Estados Unidos aprovaram o primeiro tratamento que reestrutura o sistema imunológico dos doentes, permitindo-lhes que “ataquem” o cancro, de acordo com a BBC. A agência reguladora de medicamentos norte-americana, a FDA, disse que a decisão foi um momento “histórico” e que a medicina entra agora “numa nova era”. O primeiro doente a experimentar o tratamento esteve à beira da morte, mas ficou curado e está livre do cancro há mais de cinco anos.

O novo tratamento tem como base um medicamento chamado “CAR-T” e é eficaz na cura de um tipo de cancro no sangue em 83% das pessoas. O fármaco é vendido pela companhia Novartis por 475 mil dólares (cerca de 398 mil euros).

Ao contrário das terapias convencionais contra o cancro, como a quimioterapia, este novo medicamento é produzido à medida de cada doente.

O fármaco é feito a partir da extração de leucócitos (glóbulos brancos) do próprio doente. Depois de extraídos, os leucócitos são geneticamente reprogramados para serem capazes de encontrar e matar o tumor. As células modificadas são, então, reinseridas nos doentes e, quando encontram o alvo, multiplicam-se.

Estamos a entrar numa nova era na inovação médica, com a habilidade de reprogramar as células do próprio paciente para atacar um cancro mortal”, disse Scott Gottlib, da FDA, citado pela BBC.

A terapia à base do novo medicamento será comercializada como “Kymriah” e será usada contra a leucemia linfoblástica aguda. A maioria dos doentes que sofrem desta doença respondem à terapia tradicional e a Kymriah foi aprovada para aqueles que não respondem ao tratamento mais comum.

Stephan Grupp, o médico que tratou a primeira criança com o medicamento “CAR-T”, no Hospital Pediátrico de Filadélfia, afirma que a nova terapia resultou de forma “extremamente emocionante”.

Nunca tínhamos visto algo assim antes”, acrescentou, segundo a BBC.

Riscos da terapia

Dos 63 pacientes tratados com a terapia “Kymriah”, 83% entraram em remissão, num prazo de três meses. Os efeitos nesses doentes, a longo prazo, ainda estão a ser analisados.

Contudo, a terapia também acarreta riscos. Pode causar a síndrome da libertação de citocinas, uma condição grave causada pela rápida proliferação das células modificadas pelo tratamento no corpo. Apesar disso, a síndrome também pode ser controlada com medicação.

O medicamento “CAR-T” mostrou-se promissor no tratamento de vários tipos de cancro no sangue, contudo não tem apresentado resultados tão bons contra “tumores sólidos”, como o cancro do pulmão ou de pele.

Os resultados não foram tão incríveis quando comparados com os da leucemia linfoblástica aguda, mas tenho a certeza que a tecnologia irá melhorar num futuro próximo”, afirmou à BBC Prakash Satwani, um oncologista pediátrico da Universidade de Medicina da Columbia, nos Estados Unidos.