Milhões de homens modernos asiáticos descendem de 11 poderosos líderes dinásticos que viveram até há 4.000 anos, incluindo o imperador mongol Genghis Khan, segundo um estudo divulgado esta segunda-feira pelo «European Journal of Human Genetics».

A investigação, realizada por geneticistas da Universidade de Leicester, do Reino Unido, analisou o cromossoma Y, responsável pela determinação do sexo no homem e transmitido de pai para filho, de mais de 5.000 homens asiáticos pertencentes a 127 grupos populacionais.

De acordo com os investigadores, a maioria dos tipos de cromossomo Y é muito raro, mas a equipa descobriu que destes, 11 tipos eram relativamente frequentes em toda a amostra estudada.

«Duas linhagens masculinas comuns foram descobertas antes e foram atribuídas a um conhecido personagem histórico: (o imperador mongol) Genghis Khan, e outro menos conhecido, Giocangga», antepassado do imperador Nurhaci, que instituiu a dinastia Qing no século XVII, refere Mark Jobling, professor do Departamento de Genética da Universidade do Leicester, que liderou o projeto.

À semelhança de Genghis Khan, tido como um dos comandantes militares mais bem-sucedidos da história da Humanidade, Giocangga teve muitos descendentes especialmente no nordeste da China e na Mongólia, resultante do caso dos seus filhos com muitas esposas e concubinas durante gerações.

Os geneticistas da Universidade de Leicester descobriram ligações genéticas através de uma cadeia de antepassados do sexo masculino, tanto para Genghis Khan e Giocangga, além de outros nove líderes dinásticos que viveram entre os anos 2100 a.C. e 700 d.C..

Citado hoje pela «ScienceDaily», Mark Jobling afirmou que as linhagens mais novas, originárias dos últimos 1.700 anos, foram encontradas em populações nómadas pastoris, assinalando que na altura, estes viajavam a cavalo para longe das suas casas.

De acordo com Mark Jobling, para que estes mantivessem poder necessitavam de ter muitos filhos espalhados, pelo que se terão envolvido com muitas mulheres, uma forma de passar o 'status' e, consequentemente, espalharam o cromossoma Y. A prática terá sido replicada por gerações de descendentes.

No entanto, a primeira autora deste estudo, Patricia Balaresque, considerou «difícil ou impossível» identificar os ancestrais responsáveis por essas linhagens, uma vez que pressupunha encontrar os restos mortais, extrair e analisar o ADN, o que ainda não foi feito sequer com Genghis Khan.