O Desafio da Maternidade, no Facebook, está a provocar uma acesa polémica. O mais recente desafio das redes sociais consiste em partilhar momentos ternurentos da maternidade e da gravidez e, posteriormente, desafiar outras mães a fazerem o mesmo.

Na última terça-feira a brincadeira azedou, quando uma mãe brasileira se recusou a entrar na corrente e resolveu lançar o “desafio da maternidade real”.

“Recuso-me a ser mais uma ferramenta para iludir outras mulheres de que a maternidade é um mar de rosas e que toda a mulher nasceu para desempenhar outro papel. Eu vou lançar outro desafio, o desafio da maternidade real”, escreveu Juliana Reis, de acordo com a revista brasileira Crescer.

 

Post de Juliana Reis no Facebook que esteve na origem da polémica

 

O desabafo de Juliana deu origem a uma onda de comentários de apoio, mas também de críticas, ameaças e até denúncias ao Facebook. De tal forma que a rede de Mark Zuckerberg excluiu o perfil de Juliana Reis.

A decisão do Facebook, em vez de amenizar a polémica adensou-a. E os movimentos #TamoJuntaJuliana e #somostodasjuliana depressa ganharam forma nas redes sociais.

Um dos comentários mais comoventes partiu de um homem. De um pai. Marcos Vinícius Ranauro saiu em defesa das mulheres no puerpério e relatou a experiência que viveu ao lado de Monique, mãe da sua filha Mia:

“Passei momentos tristes ao lado da Monique. Vi minha esposa se tornar uma mulher mais linda ainda depois do nascimento da Mia, mas também vi uma mulher que era tão sorridente chorar o dia todo com medo da maternidade. O seio da minha esposa rachou e mesmo assim ela amamentava a Mia com amor nos olhos. O leite da Monique secou. A casa está cheia de cabelo dela pelo chão. Ela perdeu 20 kg por causa da depressão. Tentou suicídio duas vezes e chorava desesperada querendo ter saúde pra cuidar da nossa família. Fiquei sem chão muitas vezes. Deus me ajudou. Ajudou a Monique.”

 

Quem me conhece sabe que não sou de me envolver em polêmicas na Internete, mas diante da situação que presenciei hoje...

Publicado por Marcos Vinícius Ranauro em Terça-feira, 16 de Fevereiro de 2016

 

 

 “Se a sua maternidade foi perfeita e comercial de margarina, por que não tenta dar um conselho construtivo para as mães recém paridas? Sou homem, mas aprendi com a minha esposa a palavra sororidade. Tá faltando isso entre algumas mulheres. Falta respeito entre o ser humano”, acrescentou, num longo post no Facebook.

Monique, a mulher que Marcos tanto elogia, é amiga de Juliana e explica a origem da polémica. "A Ju abraçou a ideia e veio fazer parte também. Tinha acabado de parir o Vicente, estava frágil. Trocamos confissões diárias nesse grupo, as situações vividas por nós, as dores e delícias da maternidade", explicou Monique, ao portal feminino delas.ig.com.br.

Num perfil de Facebook chamado TudoEu, mais uma mensagem de solidariedade para com Juliana Reis:

“Uma mãe, puérpera, sofrendo, no olho do furacão, resolve abrir o coração e falar a verdade. O bebê dela tem dois meses. Ela ta se refazendo. Puerpério é luto. Medos, dores, dúvidas... Ela fala que detesta o que tá passando. Sabem o que significa coragem? Falar com o coração. E essa corajosa mulher está sendo crucificada.”

 

Lançaram o tal desafio da maternidade. Uma mãe, puérpera, sofrendo, no olho do furacão, resolve abrir o coração e falar...

Publicado por Tudo Eu em Terça-feira, 16 de Fevereiro de 2016

 

As mensagens de apoio a Juliana espalharam-se também pelo Twitter. Rejane Alves escreve: “Faço minhas todas as tuas palavras!Ser mãe não é esse ‘mar de rosas’ que estão querendo mostrar com.”

O blogue Odeio Ser Mãe tem vários posts que está a replicar no Twitter: