
Um sistema de ajuda ao combate à desertificação dos solos, a partir do processamento de imagens de satélite, é apresentado esta semana no Brasil pela empresa portuguesa Critical Software, que o desenvolveu para a Agência Espacial Europeia (ESA).
De acordo com a Lusa, a ferramenta informática será divulgada no MundoGEO Connect LatinAmerica 2012, que decorre de terça a quinta-feira em São Paulo, Brasil. Trata-se de um evento dedicado à utilização de imagens de satélite.
Paulo Armas, gestor de projetos na Critical Software, adiantou à agência Lusa que no seu desenvolvimento estiveram envolvidos parceiros públicos que em Portugal, Brasil e Moçambique têm competência para dar cumprimento à Convenção das Nações Unidas para combate à desertificação.
A escolha destes países, subscritores daquele instrumento de direito internacional, teve em atenção a facilidade da língua comum, e de terem realidades geográficas distintas.
O objetivo do sistema é produzir informação para ser utilizada por todos os intervenientes da UNCCD (United Nations Convention to Combat Desertification) de forma a avaliar e monitorizar a degradação do solo, através de 3 métricas: Mapas de Ocupação do Solo, Indicador de Degradação do Solo, Indicador de Suscetibilidade à Desertificação, refere a Critical Software em nota de imprensa.
«Com base nas imagens de satélite, responder ao máximo aos indicadores» definidos pela Convenção, «otimizando todos os recursos existentes nos diferentes países, evitando que países que tenham poucos recursos tenham de fazer este levantamento no terreno», explicou.
Segundo Ricardo Armas, a cobertura da Terra pelas imagens de satélite é praticamente global, e os custos «são muito baixos» quando comparados com os meios necessários para a recolha da informação no terreno.
«A informação extraída permite, não só analisar o estado atual de desertificação, ou de degradação do solo ao longo do país, mas também a tendência em termos climáticos, e olhar para o futuro e identificar as áreas de maior risco», explicou.
Ricardo Armas salienta que com o projeto DesertWatch é ainda possível acompanhar o impacto das ações que forem sendo tomadas para minimizar a degradação.
Esta ferramenta informática ajuda, não só a planear a ocupação do solo, mas também sobre o tipo e intensidade da agricultura, ou de floresta.
O DesertWatch iniciou-se em 2009 e no final do ano transato e começou a ser divulgado publicamente. O consórcio liderado pela Critical Software, que o desenvolveu, juntou ainda o Instituto Superior Técnico, Instituto Geográfico Português e a Deimos Engenharia.