Na Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC), terapeutas portugueses e espanhóis estão a receber formação numa técnica dirigida a bebés com problemas neuromotores, em que os brinquedos ajudam melhorar a coordenação e movimentos.

O curso, que começou no dia 18 e que termina esta quinta-feira, junta 24 fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais na APCC que recebem formação na terapia Bobath, dirigida a bebés dos 0 aos 18 meses e ministrada pela especialista norte-americana Gay Girolami, contando com a participação de 20 crianças e familiares.

A terapia, conta Gay Girolami, consiste em usar "as próprias mãos e equipamentos, como por exemplo brinquedos," para fazer com que a criança aprenda a sensação do movimento que tem dificuldade em fazer, num momento em que é mais fácil "mudá-las de um caminho que não é tão bom para um caminho que as leva para a forma como se deveriam desenvolver".

Segundo a especialista, a intervenção precoce é "fundamental", aproveitando-se "a plasticidade do cérebro" e a altura da vida em que o ser humano apresenta a maior "taxa de crescimento" e aprendizagem para "conseguir as maiores mudanças".

No ginásio da APCC, Gay Girolami, sentada de frente para um bebé de oito meses, mostrava aos formandos como usava um brinquedo para fazer com que a criança se movimentasse de determinada maneira, para perceber as dificuldades que enfrentava, bem como os movimentos que poderiam ter de ser corrigidos.

Este "é um processo de aprendizagem", que pode demorar meses ou anos, em que se procura que o bebé melhore a sua coordenação motora, disse à agência Lusa Gay Girolami.

"A capacidade do terapeuta está em olhar para a criança, ver como se mexe e perceber que controlo motor não está presente e como deve praticar esse controlo motor, usando o ambiente que a rodeia e as suas mãos" para guiar e estruturar o movimento que se quer, explana.


Se o bebé "tem medo de se mover, vai ficar cada vez mais tenso" e os músculos "não aprendem que podem fechar e que podem abrir".

Segundo a especialista, com esta terapia em que a família tem de estar envolvida, "os pais veem que os bebés têm a capacidade de melhorar e de mudar e isso dá-lhes mais esperança e motivação".

Para a coordenadora do departamento de fisioterapia da APCC, Cristina Soutinho, o brinquedo que é usado é "muito importante" para o sucesso desta técnica já usada na instituição.

Sendo o brinquedo a motivação, "é muito importante que a criança inicie o movimento que se pretende e não fique apenas sentada" e para isso "o brinquedo ajuda e contribui", tendo de ser escolhido "de forma criteriosa".

A partir da aplicação desta terapia desde muito cedo, é possível obter "mais movimentos e mais participação" das crianças, ajudando para que estas sejam "pessoas mais participativas e mais autónomas", vinca.

De acordo com a também membro da direção da APCC, a terapia Bobath pode ser iniciada a partir dos dois meses.