Se acha que um copo de vinho por dia até lhe faz bem, está enganado. E quem o diz são os especialistas.

Um novo estudo da Universidade de Washington, publicado na revista Lancet, diz que, afinal, até mesmo uma bebida ocasional é prejudicial à saúde. 

O consumo de álcool continua a registar bons números no que diz respeito ao combate a doenças cardíacas ou na 'prevenção' de diabetes e derrames, mas os especialistas alertam que os efeitos nocivos são maiores que os benefícios. 

Os resultados mostram que não há nível de consumo considerado saudável", lê-se no estudo. 

Os autores do estudo analisaram os níveis de consumo de álcool em 195 países, durante 16 anos, entre 1990 e 2016, e concluíram que não há nível seguro de consumo de álcool. Por isso, aconselham os governos para controlarem melhor as vendas e consumos de álcool. 

Segundo o estudo, os hábitos atuais de consumo de álcool representam “os consumos do futuro se não houver ação política hoje"

Os investigadores olharam ainda para os dados de 100 mil pessoas que não consomem álcool e concluíram que apenas 914 desenvolveram doenças tipicamente associadas ao consumo de álcool, como o cancro e outro tipo de lesões.

O estudo mostrou ainda que 27% das mortes por cancro nas mulheres e 19% nos homens, com mais de 50 anos, estavam ligadas aos hábitos de consumo de álcool.

Uma bebida por dia representa um acréscimo pequeno do risco, mas a maioria das pessoas não bebe apenas um copo.

Apesar dos riscos associados ao álcool serem pequenos com uma bebida por dia, estes sobem rapidamente quando as pessoas bebem mais", explicou o principal responsável pelo estudo, Max Griswold, do Instituto de Métrica e Avaliação de Saúde, da Universidade de Washington. 

Estudos feitos anteriormente deram conta que o álcool contém um efeito protetor, mas o estudo agora publicado mostra que qualquer seja o nível de consumo de álcool os riscos vão ser sempre superiores. 

O novo estudo reúne dados que inclui números das vendas, testemunhos das próprias pessoas sobre os seus consumos, entre outros. 

O álcool é um problema de sáude a nível mundial. A diminuição dos riscos associados ao menor consumo de álcool são superados pelo risco de outras doenças, como o cancro", destacou Robyn Burton, professora no King's College London, num comentário ao estudo na publicação da revista.