Com o boom da Internet nos anos 90, vários especialistas apressaram-se a vaticinar a morte da televisão. Mas em 2017, e no que ao acesso às notícias diz respeito, os números contrariam as previsões: a televisão ganhou terreno à Internet. Surpreendido? Um novo estudo revela outros dados curiosos sobre o consumo de notícias em Portugal como, por exemplo, a importância de uma rede social que, não sendo nova, só agora permite aceder a notícias.

Se a utilização da televisão como principal fonte de notícias aumentou (2%) face ao ano passado – situando-se agora nos 54% -, a escolha da Internet como fonte principal diminuiu (3,2%), tendo sido apontada por 31,5% dos inquiridos. As conclusões constam num estudo realizado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism, que reuniu dados de 36 países e que contou com a parceria do OberCom - Observatório da Comunicação em Portugal.

Falar em Internet implica falar em redes sociais. Embora estas plataformas ganhem cada vez mais importância nos hábitos dos portugueses, ainda estão longe de constituírem a principal fonte de acesso a notícias. Tem, de resto, havido uma quebra nesse sentido. Segundo o estudo, há 13,3% dos portugueses que dizem ser esta a sua principal fonte de notícias, quando, no ano passado, o número fixava-se em 15,9%.

E no campeonato das redes sociais, há um líder indiscutível, mas que tem vindo a perder pontos: o Facebook. O relatório indica que 54,3% dos portugueses utiliza esta plataforma para notícias, mas, no ano passado, o número fixava-se em 62,7% e há dois anos atingia 67%. É uma queda de quase 13 pontos percentuais em dois anos. 

O Youtube volta surgir como a segunda rede social mais usada para notícias, mas nesta matéria há, este ano, um dado novo: o Facebook Messenger. Não se tratando de uma plataforma recente, só agora é que esta aplicação do Facebook permite aos utilizadores receber notificações de notícias. Foi uma entrada direta para o terceiro lugar das redes sociais mais usadas pelos portugueses para estarem informados.

Menos surpreendente é o crescimento do smartphone como principal dispositivo de acesso às notícias. Cerca de 51,45% dos portugueses já recorrem ao telemóvel para aceder a notícias e, ainda que seja mais utilizado (66,6%), o computador está a perder importância.

Há três anos que o relatório inclui dados de Portugal e há três anos que destaca o elevado grau de confiança dos portugueses nos conteúdos noticiosos, num valor bastante acima dos restantes países inquiridos. Numa altura em que muito se fala de fake news,  a tendência confirma-se em 2017 e Portugal apresenta-se como o terceiro país onde mais se confia em notícias no conjunto dos 36 países inquiridos. ​​​​​​Isto apesar da quebra de 7,6 pontos percentuais no índice face a 2015 e de 1,2 pontos percentuais face ao ano passado.