Três cientistas portugueses recebem 5,9 milhões de euros do Conselho Europeu de Investigação (European Research Council, ERC) para desenvolverem os seus projetos de investigação, nas áreas da biologia e das ciências sociais, foi hoje anunciado.

Os cientistas contemplados com os três ERC são Mónica Bettencourt Dias, Investigadora Principal do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), Helder Maiato, Investigador Principal do I3S da Universidade do Porto na área das ciências da vida, e Marina Costa Lobo, Investigadora principal do Instituto de Ciências Sociais (ICS) na área das ciências sociais.

Esta é a segunda vez que Mónica Bettencourt Dias e Hélder Maiato recebem um financiamento do ERC. Cada laboratório receberá agora cerca de 2 milhões de euros.

Contando com a primeira vez que foram premiados, em 2010, estes dois investigadores já captaram ao todo para Portugal cerca de 7 Milhões de Euros.

Já a investigadora do ICS, Marina Costa Lobo, recebe a segunda bolsa do ERC na área das ciências sociais em Portugal, no valor 1,6 milhões de euros.

São agora onze os investigadores a trabalhar em Portugal que receberam bolsas do programa ERC Consolidator, um programa de financiamento criado para "dar apoio a investigadores que estão a consolidar a sua carreira científica independente", em especial "grupos de investigação independentes com elevado nível de excelência".

Em 2015, estiveram em concurso mais de 2.050 projetos de investigação, nas várias áreas do conhecimento.

No projeto agora financiado, a equipa de Mónica Bettencourt irá recorrer a uma abordagem multidisciplinar que combina a modelação matemática com técnicas experimentais sofisticadas, que possibilitará visualizar e quantificar objetos muito pequenos dentro das células.

“Este novo financiamento dá-nos capacidade para comprar equipamento altamente sofisticado em termos tecnológicos, mas também para recrutar uma equipa excecional com a qual podemos trabalhar durante 5 anos”, destaca a investigadora.

Hélder Maiato, que se tem dedicado a estudar o movimento dos cromossomas durante a divisão das células, propõe-se a partir da divisão celular e do transporte dos cromossomas para descodificar os sinais de navegação e contribuir para a compreensão desta espécie de “GPS” celular.

Com o financiamento agora atribuído, o investigador considera que “estão garantidos os recursos necessários que permitirão avançar com o trabalho sem as restrições que projetos de menor dimensão impõem”.

Marina Costa Lobo pretende com este projeto estudar o impacto que o tema “Europa” tem ganho nas eleições legislativas entre 2000 e 2016 na Alemanha, Bélgica, Espanha, Grécia, Irlanda e Portugal, em particular a forma como a crescente importância da União Europeia tem influenciado a política nacional desde o início da crise da Zona Euro.

A investigadora acredita que o seu projeto “poderá contribuir para a compreensão das transformações políticas na Europa desde a crise da zona euro”.