O primeiro artigo publicado, na segunda-feira, sobre o tremor de terra em Los Angeles, nos EUA, foi escrito por um robô. O diário norte-americano estabeleceu certamente um recorde de capacidade de resposta. Três minutos depois de um sismo de magnitude 4,4 ter sido sentido a cerca de oito quilómetros de Westwood, na Califórnia, por volta das 06:25 locais (13:25 em Lisboa), a notícia estava pronta para ser publicada na edição online do jornal. O segredo de uma tal velocidade? A intervenção de um programa de computador, que ajudou os repórteres com a notícia.

O jornalista e programador do «Los Angeles Times», Ken Schwencke trabalha há dois anos no «QuakeBot», um algoritmo que gera automaticamente artigos curtos em caso de terramoto, refere a Slate Magazine. Assim que o Instituto Geológico dos Estados Unidos emite um alerta de terramoto, o robô reage de forma imediata. Para tal, o sismo tem de ter uma magnitude superior a 3 na escala de Richter.

«O QuakeBot está programado para extrair dados relevantes a partir do relatório do Instituto Geológico dos Estados Unidos e transformá-los num modelo pré-escrito», explica Ken Schwencke em entrevista à Slate Magazine. O artigo é depois inserido numa base de dados, onde é revisto por um editor.

O artigo original dos «Los Angeles Times», com três parágrafos, era composto por frases bastante básicas:

«Um terramoto de 4.7 de magnitude superficial foi assinalado segunda-feira a 8 km de Westwood, Califórnia, de acordo com o departamento geológico dos Estados Unidos. O terramoto ocorreu às 06:25 horas», escreveu o robô.

O texto foi depois atualizado 71 vezes, de acordo com Ken Schwencke, tanto pelo algoritmo como por jornalistas. A magnitude, por exemplo, foi reduzida para 4,4 e as réplicas do terramoto registadas às 7:23 foram adicionadas ao texto.

Robôs-jornalistas para o crime, o desporto e a economia

O QuakeBot «permite-nos ganhar muito tempo e, para certos tipos de notícias, dá a informação, de uma maneira geral, de forma tão boa quanto qualquer um. Na minha opinião, ele não substitui o trabalho [dos jornalistas], mas torna-o mais interessante», conclui Ken Schwencke.

Ken Schwencke e os colegas criaram outros robôs que geram automaticamente artigos sobre os assassinatos por meio de relatórios de homicídio.

Na área do robô-jornalismo, o programa Stats Monkeytambém é conhecido desde 2010 por escrever artigos factuais sobre acontecimentos desportivos. O algoritmo é desenvolvido por dois pesquisadores norte-americanos que querem colocar a ferramenta ao dispor das redações locais cujos recursos são limitados.

A revista norte-americana de negócios, «Forbes», usa um programa de nome, Narative Science que escreve artigos sobre a bolsa de valores.