Um programa de jogos didácticos instalado nos computadores Magalhães distribuídos às crianças tem diversos erros ortográficos, de sintaxe e gramaticais. A notícia é avançada pela edição deste Sábado do «Expresso». Segundo o jornal, «há palavras repetidamente mal escritas, outras inventadas, verbos mal conjugados, vírgulas semeadas onde calha, acentos que aparecem onde não devem e não estão onde deviam».

A explicação dos erros do Magalhães

O problema foi, segundo o jornal, o facto de o software ter sido traduzido por um emigrante português em França, que tem apenas a 4ª classe.

«Neste processador podes escrever o texto que quiseres, gravar-lo e continuar-lo mais tarde», lê-se nas instruções do processador de texto. «Dirije o guindaste e copía o modelo», explicam as instruções de um puzzle. «Quando acabas-te, carrega no botão OK», são apenas alguns dos 80 erros que o jornal encontrou.

Depois de ter sido confrontado pelo «Expresso» com a existência dos erros no portátil que já foi distribuído a 200 mil crianças, o Ministério da Educação informou que vai pedir a todas as escolas que retirem esse software dos computadores dos seus alunos. E vai ser solicitado à JP Sá Couto, empresa fabricante do Magalhães, que não inclua esses jogos nos computadores que ainda vai produzir.

Este sábado, o secretário de Estado Adjunto da Educação, Jorge Pedreira, disse aos jornalistas em Alcobaça, que os erros de português detectados no computador Magalhães foram «uma surpresa». «Naturalmente, não me parece que devesse ter acontecido e que, portanto, quem teve responsabilidade por verificar isso, deveria ter detectado esses dados», afirmou Jorge Pedreira à margem do IV Seminário para a Educação.

Jorge Pedreira sublinhou que, «agora, o que é importante é corrigir». «Uma coisa é certa: não é pelo facto de um programa de jogo didáctico ter erros, que isso diminui, em alguma coisa, a utilidade e a importância do projecto do computador Magalhães», declarou o secretário de Estado.

Jorge Pedreira rejeitou ainda que o problema descredibilize este projecto do Governo. «No momento em que os computadores estiverem com as crianças e os professores começarem a utilizá-los na escola, todos veremos a vantagem que o computador Magalhães tem para as crianças», defendeu.

Confrontado com a possibilidade de o Governo vir a pedir responsabilidades sobre esta situação, Jorge Pedreira acrescentou primeiro há que ver «exactamente aquilo que aconteceu», acrescentando ser prematuro pronunciar-se sobre esta questão.