Cientistas estão a discutir se as propriedades das entidades abstratas, como números, figuras geométricas ou símbolos, e as suas relações, são uma propriedade do universo ou uma interpretação humana da realidade, segundo um artigo divulgado hoje.

O Instituto Kavli do Cérebro e da Mente, com sede em Oxnard (Califórnia, EUA), publicou as opiniões de neurocientistas que debatem se a matemática, que descreve e prognostica o que no rodeia os seres humanos, desde a estrutura helicoidal do ADN às espirais das galáxias, existe no universo ou é a forma com que a mente humana compreende o universo.

«Os números não são propriedades do universo, refletem sim o suporte biológico com o qual as pessoas compreendem o mundo», segundo o chileno Rafael Núnez, professor de ciência cognitiva da Universidade da Califórnia (San Diego).

O professor de neuropsicologia cognitiva da Universidade College de Londres, Brian Butterworth, que colabora com Núnez nesta investigação, defendeu que «os números não são, necessariamente, uma propriedade do universo, mas sim uma forma muito poderosa de descrever alguns aspetos do universo».

Pelo contrário, o professor associado da Universidade de Tóquio, Simeon Hellerman, afirmou que muitos físicos (incluindo o próprio) concordam que «deve haver alguma descrição completa do universo e das leis da natureza».

«Implícito nessa premissa está o facto de o universo ser, intrinsecamente, matemático», acrescentou.

Max Tegmark, professor de física no Instituto Tecnológico de Massachussets (MIT) sustentou que «a natureza, claramente, dá-nos indícios de que o universo é matemático».

Muitos matemáticos, acrescentou, sentem que não inventam as estruturas matemáticas «e sim, que as descobrem, e que estas estruturas matemáticas existem independentemente dos humanos».