Pela primeira vez conseguiram transformar células estaminais em células dos pulmões e das vias respiratórias. É uma descoberta que os investigadores da Universidade de Colúmbia acreditam que pode levar a pulmões criados em laboratório com as células do próprio paciente.

Hans Snoeck e a sua equipa no Centro Médico da Universidade da Colúmbia estão a transformar células estaminais humanas em células pulmonares completamente funcionais. É um avanço que pode revolucionar o tratamento das doenças pulmonares e tornar realidade a engenharia biomédica.

Snoeck diz que estas células poderão um dia servir de base a pulmões criados em laboratório que não serão rejeitados após o transplante. Essas células podem também ser usadas para testar novos medicamentos, o que atualmente não é possível porque as células onde começam as doenças pulmonares estão no interior do órgão, e portanto inacessíveis a qualquer estudo.

«Tem sido muito difícil estudar esta doença porque quando o paciente é afetado o pulmão fica quase destruído. Se conseguíssemos criar as células que acreditamos estar na base da doença poderíamos estudá-las, o que traria novas oportunidades para começarmos a compreender a doença», acredita Hans Snoeck, Professor de Medicina, Microbiologia e Imunologia no Centro Médico da Universidade de Colúmbia.

No centro das experiências estão as chamadas células epiteliais de tipo 2, cruciais para o funcionamento dos pulmões. Elas produzem um refratante que mantém os pulmões abertos e funcionais, mas são também as primeiras a ser afetadas pela doença.

«Muitas doenças pulmonares centram-se especificamente nesta célula. O que agora podemos fazer é tirar amostras de células da pele do paciente, reprogramar essas células estaminais, criar células do tipo 2, e ver exatamente o que se passa de errado com elas. Se percebermos o que se passa, também podemos começar a rastrear e a desenvolver medicamentos para tratar estas doenças. É o caso da fibrose pulmonar idiopática, por exemplo, uma doença que mata entre 20 a 30 mil pessoas nos EUA e para a qual não existe qualquer tratamento. Uma das coisas que gostaríamos de fazer era começar a delinear a doença usando este método», refere.

O mais empolgante são as oportunidades que esta investigação abre à criação em laboratório de pulmões à prova de rejeição.

«Um dos nossos sonhos é conseguir usar as células que gerámos a partir destes pacientes e inseri-las no pulmão de um dador, de onde removemos todas as células desse dador. Ou seja, ficaríamos com um pulmão completo, com toda a estrutura original do dador, mas com as células são as do nosso paciente», adianta Hans Snoeck.

É claro que produzir células suficientes para reconstituir um pulmão inteiro pode ser uma missão impossível. Ainda assim, Snoeck e a sua colega acreditam que podem chegar ao seu objetivo com uma ajudinha do sistema de produção celular do próprio organismo.

«Uma das nossas abordagens passa por criar núcleos saudáveis dentro dos pulmões doentes, e deixar que seja o corpo a tratar da regeneração, com base nesses núcleos saudáveis. Comprovámos em laboratório que este princípio funciona com vários tecidos, e gostaríamos de o aplicar no tecido pulmonar», diz Gordana Vunjak-Novakovic, Professora de Engenharia Biomédica no Centro Médico da Universidade de Colúmbia.

Os investigadores dizem que ainda há um longo caminho até que um pulmão possa ser recriado com êxito, mas acreditam que a era dos órgãos gerados pela engenharia biomédica, do fígado aos pulmões, não está tão longe assim.

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