Jejuar pode ser o segredo para melhorar o sistema imunitário e, logo, ter mais saúde. A conclusão é de um estudo da Universidade do Sul da Califórnia. Para a pesquisa, os cientistas pediram aos participantes para não ingerir alimentos por períodos de dois a quatro dias, durante seis meses.

O que descobriram é que, apesar de os nutricionistas desaconselharem o jejum em qualquer dieta saudável, um período de três dias sem comer pode ajudar a renovar completamente o sistema imunitário. Isto porque, como explicaram os cientistas ao jornal «The Telegraph», a fome prolongada incentiva as células estaminais a produzirem novos glóbulos brancos, os elementos do sangue que lutam contra as infecções.

Em períodos de fome prolongada, o corpo humano usa as reservas de glicose e gordura para sobreviver, mas também um grande número de glóbulos brancos desnecessários é reciclado.

Segundo Valter Longo, professor de gerontologia e ciências biológicas na Universidade do Sul da Califórnia, é como se a falta de alimentos desse carta-branca «às células estaminais para renovar todo o sistema». «A melhor parte», acrescenta o investigador, «é que o corpo se vê livre de todas as partes que possam estar danificadas ou velhas, [ou seja] as partes ineficientes».

Os cientistas dizem que o método pode ser benéfico a quem sofra de doenças do sistema imunitário, idosos e pacientes oncológicos em tratamento de quimioterapia. De acordo com o estudo, o jejum de 72 horas protege os doentes submetidos ao tratamento com quimioterapia dos «efeitos tóxicos do mesmo». O professor Longo confessa que não estavam à espera de resultados tão marcantes quando realizaram o estudo.

Não houve, como esperado, consenso na comunidade médica sobre o resultado deste estudo. «Não sei se o jejum é a melhor ideia», afirmou Chris Mason, professor de medicina regenerativa na University College London.

«O melhor é as pessoas comerem regularmente», acrescenta o especialista.


O próprio orientador do estudo é cauteloso. «São necessários mais estudos clínicos», avisa Longo. O investigador responsável adverte, ainda, que «esta dieta deve ser realizada apenas sob a orientação de um médico».