Há muito que a sabedoria popular afirmava que os condutores mais idosos eram mais perigosos na estrada, mas agora há provas científicas que mostram que o senso comum estava certo. De acordo com um novo estudo, os mais velhos são três vezes mais lentos do que os jovens e têm menor poder de concentração.

A investigação da Universidade de Nottingham Trent apurou que os condutores com mais de 65 anos processam a informação visual tão depressa quanto os adultos entre os 18 e os 30 anos, mas os reflexos são bastante mais lentos. Segundo os resultados, múltiplos “objetos de distração” no caminho dos mais idosos podem levar a uma maior probabilidade de acidentes.

Para testar a teoria, foi estudado o tempo de reação dos idosos quando surgiam vários objetos num ecrã de computador. Os cientistas conseguiram então perceber que, quanto maior o número de elementos que perturbavam a atenção, mais lentamente os idosos processavam visualmente o objeto original.

Uma descoberta que, para os cientistas, pode tornar-se relevante para as atividades quotidianas, como a condução.
 

“A diferença na exigência das tarefas que implicam relembrar dois objetos em vez de um parece pequena. No entanto, isto levou a um retardamento do processo de aceleração nas pessoas mais velhas”, afirmou Duncan Guest, um dos responsáveis pelo estudo, em entrevista ao The Telegraph.

“Situações do quotidiano são compostas por múltiplos objetos e a nossa investigação sugere que os idosos seriam mais lentas nestas situações. Os condutores precisam de procurar pistas visuais na estrada, como sinais e edifícios, enquanto codificam e armazenam informação sobre outros veículos e perigos”.


Em Inglaterra, onde teve lugar o estudo, o número de acidentes com condutores com mais de 70 anos é equiparável aos de jovens entre os 18 e os 20. Contudo, os especialistas ressalvam que este só não é superior porque grande parte dos idosos limita-se a conduzir à noite, em distâncias curtas ou caminhos familiares.

Para além disto, estudos anteriores compararam os reflexos entre os mais velhos e os mais novos e afirmaram que os olhos dos idosos demoram seis vezes mais a recuperar de clarões do que os dos adolescentes.

Contudo, não foram detetadas grandes diferenças entre condutores entre os 65 e os 86 anos. No entanto, quando comparados com adultos com menos de 65 anos, os idosos demoravam três vezes mais tempo a processar informação.

A investigação pode ajudar a desenvolver soluções para o problema, uma vez que o crescimento da população idosa é uma tendência no mundo ocidental.