A figura deste porco é semelhante a uma ovelha e a pouca exploração da sua carne estava a conduzi-lo à extinção. Uma empresa espanhola achou o animal curioso, procurou conhecê-lo melhor e conseguiu recuperar a espécie. Atualmente o seu aproveitamento alimentar começa a fazer concorrência à carne de porco ibérico tão apreciada em Portugal e Espanha.

Porco-ovelha é o nome pelo qual é conhecida a espécie suína mangalitsa, com origem em meados do século XIX no Império Austro-húngaro. Até ao final da década de 1970, estes animais só podiam ser vistos em parques nacionais e zoológicos.

O mangalitsa pertence às raças de porcos europeus descendente de javali, à semelhança do porco negro e do porco alentejano. O pelo, semelhante ao da ovelha, deve ser tosquiado uma vez por ano e também pode ser utilizado como lã. Esta espécie de porco pode apresentar três cores naturais (avermelhado, preto e branco).

No passado, a carne do mangalitsa era muito apreciada no Balcãs e também no Reino Unido. Mas os conflitos bélicos que atingiram essas regiões europeias durante o século XX reduziram o número de exemplares em todo o continente. Nos anos 90, uma empresa espanhola de carnes frias procurava novas formas de inovar a oferta dos seus produtos e descobriu cerca de pouco mais de centena e meia de mangalitsas na Hungria que iam ao encontro dessas ambições. Depois de conhecer melhor o animal e as suas potencialidades, colocou o plano em marcha. Recuperou uma espécie em vias de extinção e criou produtos de charcutaria de alta qualidade.

Em declarações ao jornal El País, a empresa refere que no início não foi fácil introduzir o animal no mercado. “Usávamos o slogan não é cachemira [por causa do pelo do animal] para suscitar a curiosidade no consumidor”, disse ao jornal espanhol, acrescentando que hoje a qualidade das suas carnes já fazem concorrência aos mais vendidos da empresa.

Também nos Balcãs foi recuperado o apreço pela espécie. Em Budapeste, existe um festival, desde 2007, que durante quatro dias promove iguarias de mangalitsa para todos os gostos.

Em Portugal também há criadores. Uma empresa portuguesa do distrito de Leiria também se tem dedicado à criação e conservação desta espécie.