Uma equipa internacional de investigadores descobriu o mecanismo utilizado pelo organismo para eliminar as células que não conseguem formar tecidos, segundo um estudo publicado na revista científica Nature Communications.

O trabalho foi realizado por investigadores dos espanhóis Instituto Cajal e Centro Nacional de Investigações Cardiovasculares e da Universidade de Berna (Suíça).

O cientista do Instituto Cajal e coautor do estudo, Sergio Casas, disse, à agência noticiosa espanhola EFE, que os resultados do trabalho serão especialmente úteis para os progressos em duas áreas: a investigação do cancro e o estudo do desenvolvimento do sistema nervoso e das doenças neurodegenerativas.

“Descobrimos o papel de uma proteína no processo de competição celular”, precisou o investigador.

A competição celular é o processo através do qual o organismo seleciona as células que formarão os seus tecidos: “as menos boas são rejeitadas e substituídas por células ótimas que se multiplicam para formar o tecido definitivo”.

São o que se denomina células “perdedoras” e células “ganhadoras”, respetivamente.

Conhecer o processo é importante para o combate ao cancro, caso em que “infelizmente, as células ‘perdedoras’ são as boas face às tumorais que são as ‘ganhadoras’, pelo menos em muitos tipos de tumor”, disse ainda Sergio Casas.


Em relação ao sistema nervoso, está a ser investigado como é que “a seleção de células durante o desenvolvimento se traduz num sistema nervoso que funciona melhor ou pior”, adiantou, como cita a Lusa.