Cientistas espanhóis anunciaram, esta quarta-feira, o uso pela primeira vez de terapia de genes para inverter a perda de memória em ratos com Alzheimer, um avanço que poderá levar a novos medicamentos para tratar a doença.

A equipa da Universidade Autónoma de Barcelona injetou em ratos que se encontravam nas fases iniciais da doença um gene que desencadeia a produção de uma proteína que está, em doentes com Alzheimer, bloqueada no hipocampo ¿ uma área do cérebro essencial para o processamento de memórias.

«A proteína que foi reconstituída através da terapia de genes desencadeia os sinais necessários para ativar os genes envolvidos na consolidação da memória de longo prazo», indicou a universidade em comunicado.

A terapia de genes consiste em transplantar genes em células do paciente para corrigir a doença que é, de outra forma, incurável, causada pela falência de um ou outro gene.

A descoberta foi publicada no Journal of Neuroscience e surgiu após quatro anos de investigação.

«A esperança é que este estudo possa levar ao desenvolvimento de drogas farmacêuticas que possam ativar estes genes em seres humanos e permitir a recuperação da memória», disse o líder da equipa de investigação, Carlos Saura, citado pela agência de notícias francesa, AFP.

A doença de Alzheimer, causada por proteínas tóxicas que destroem células cerebrais, é a mais comum forma de demência.

Em todo o mundo, 35,6 milhões de pessoas padecem desta fatal doença degenerativa do sistema nervoso central, que é atualmente incurável, e são anualmente diagnosticados 7,7 milhões de novos casos, de acordo com um relatório de 2012 da Organização Mundial de Saúde.

Em 2010, o custo total da demência na globalidade da sociedade foi estimado em 604 mil milhões de dólares (cerca de 437 mil milhões de euros), segundo a Alzheimer Disease International, uma federação de associações de Alzheimer de todo o mundo.