Os agentes da polícia de Zhengzhou, na China, estão a utilizar os óculos com reconhecimento facial desde quinta-feira, quando as viagens para o Festival da Primavera começaram. Ainda que a inovação tecnológica esteja a revelar ter grande utilidade para o controlo da população, as opiniões em relação ao recurso à inteligência artificial ainda se dividem.

O que parece ser um aparelho saído de um filme de ficção científica é a realidade na China. Num momento de celebrações no país, são milhares as pessoas que passam pelas estações de comboio todos os dias.  

Para facilitar o controlo dos transeuntes, os agentes policiais estão agora providos de uma nova tecnologia que lhes permite identificar os passageiros acusados de crimes.

Como explica o El País, os óculos, que se assemelham aos da Google, foram postos à prova em Zhengzhou, a populosa capital da província de Henan. Têm lentes escuras e uma pequena câmara incorporada, com reconhecimento facial. A informação que recolhem é cruzada com a base de dados da polícia, para tentar perceber se existem correspondências com as listas de suspeitos criminosos. Os resultados chegam de forma praticamente imediata, através de um dispositivo móvel semelhante a um tablet, na posse dos agentes.

De acordo com informação do Global Times, os agentes policiais têm usado os óculos durante as patrulhas nas quatro entradas da estação de comboios de Zhengzhou, desde a semana passada.

Aos meios de comunicação locais, o porta-voz do departamento de segurança da província explicou como este sistema só precisa de uma simples fotografia de cada pessoa para iniciar a procura.

Desde o dia um de fevereiro, a polícia já deteve sete suspeitos acusados de tráfico de humano e atropelamento e fuga.

Para além de procurar eventuais criminosos, os óculos também permitem aceder à identidade das pessoas. Por isso, foram também detidos 26 passageiros que viajavam com documentação falsa.

O que para alguns parece ser um enorme avanço na tecnologia, com uma grande utilidade para a segurança pública, para outros esta “magia” é só um exemplo dos perigos que a inteligência artificial pode representar.

Com dispositivos móveis como este, o controlo da população passará a ser omnipresente, alcançando até os sítios onde as câmaras não chegam.

Nos últimos anos, a China tem registado um enorme desenvolvimento tecnológico, que assume um papel cada vez mais importante em questões relacionadas com a segurança nacional.