
A rede social chinesa Weibo, uma plataforma idêntica ao Twitter, aplicou nesta segunda-feira medidas de restrição aos conteúdos postados pelos utilizadores, sob o argumento de que pretende evitar posts que «propaguem rumores, perturbem a ordem social ou destruam a estabilidade social».
As restrições são apresentadas em «contratos de utilizador», que entraram agora em vigor, e incluem um sistema de pontos. Cada utilizador começa com 80 pontos, que pode ganhar se participar em atividades promocionais, segundo explica a BBC, ou perder se quebrar as regras. Quando chegar aos 60 recebe um aviso de «créditos baixos» e se chegar a zero a sua conta é apagada.
No código de conduta da Weibo diz-se que os utilizadores não podem usar o serviço para «espalhar rumores, publicar informação falsa, atacar outros com insultos pessoais, opor-se aos princípios básicos da constituição chinesa, revelar segredos nacionais, ameaçar a honra da China, promover cultos ou superstições e apelar a protestos ou manifestações ilegais».
A Weibo pertence à empresa Sina, um dos gigantes da internet na China, e tem mais de 300 milhões de utilizadores. A Tencent, outra empresa de novas tecnologias chinesa, tem uma plataforma em tudo semelhante e também com grande dimensão. É, por exemplo, a rede social que usa Lionel Messi, atualmente o detentor do título de melhor jogador de futebol do mundo.
Estas restrições surgem depois da crescente pressão do regime chinês sobre o que é postado nas redes sociais. Em Abril, as autoridades chinesas suspenderam os comentários nas redes sociais da Sina e da Tencent. Também fecharam 16 sites, recorda a CNN, e detiveram seis pessoas por alegadamente espalharem rumores de que havia «veículos militares a entrar em Pequim». Tudo aconteceu na altura da detenção de Bo Xilai, o político chinês que era dado como favorito para um lugar no Comité Central do Partido Comunista, mas caiu em desgraça, associado a um complot de homicídio.
A Weibo também pretende que os utilizadores não possam recorrer a «expressões oblíquas ou outros métodos» para contornar as regras, mas o facto é que esse tem sido, e provavelmente continuará a ser, o recurso dos utilizadores para fugir ao controlo da internet na China. Durante o caso de Bo Xilai, por exemplo, o político era frequentemente referido como BXL pelos utilizadores.