Os neurónios dos gânglios, no cérebro, são «cruciais» para a execução de ações e têm um papel na ligação dos elementos individuais para obter sequências comportamentais, concluiu um estudo com a participação de investigadores da Fundação Champalimaud.

O trabalho publicado este domingo na revista científica Nature Neuroscience analisou como é que o cérebro cria sequências para obter ações, seguindo o mesmo princípio observado quando alguém aprende a tocar piano e começa por saber algumas notas, depois passa para as escalas e os acordes e só então consegue tocar uma peça completa.

Nos gânglios da base funcionam duas grandes vias ou circuitos neurais, a direta e a indireta, e, no artigo, Rui Costa e Fatuel Tecuapetla, do Programa de Neurociências da Fundação Champalimaud, e Xin Jin, investigador no Salk Institute em San Diego (EUA), «mostram pela primeira vez que, apesar destas duas vias funcionarem de forma semelhante durante a iniciação do movimento, têm funções bem distintas durante a execução de uma sequência comportamental».

A investigação revela que «os neurónios dos gânglios da base sinalizam a ligação dos elementos individuais numa sequência», resume uma informação divulgada pela Fundação Champalimaud.

«Treinámos ratinhos numa tarefa em que os animais tinham de pressionar uma alavanca, a uma velocidade cada vez mais elevada. De certo modo semelhante a alguém que está a aprender a tocar uma peça de piano com um ritmo progressivamente mais acelerado», explica Rui Costa, citado na informação.

Enquanto os ratinhos estavam a desempenhar esta tarefa, os investigadores mediram a atividade neural nos gânglios da base e conseguiram identificar neurónios que processam uma sequência de ações como sendo um comportamento único.

«Os gânglios da base e estes circuitos são absolutamente cruciais para a execução de ações. Estes circuitos são afetados em diversas doenças neurológicas, como o Parkinson ou a Doença de Huntington, nas quais a aprendizagem de sequências de ações está comprometida», acrescenta Xin Jin.

No início do ano, Rui Costa foi distinguido nesta área com uma bolsa («Consolidation Grant») no valor de dois milhões de euros atribuída pelo Conselho Europeu de Investigação.