Um estudo liderado pela investigadora Sónia Melo, do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Porto (Ipatimup), explica o mecanismo que pode levar as células cancerígenas a «infetar» células normais vizinhas, abrindo novas possibilidades na deteção, monitorização e tratamento do cancro.

 

O trabalho, a que a agência Lusa acesso, demonstra que as células tumorais têm a capacidade de transformar células normais através de exossomas (vesículas expelidas por células humanas, incluindo células tumorais).

 

Os resultados deste estudo foram publicados a 23  de outubro na revista «Cancer Cell» e foram tema de editorial na «Nature».

 

Em comunicado, o Ipatimup explica que todas as células humanas produzem nano-vesículas chamadas exossomas que contêm material característico de cada célula. Ao isolar os exossomas de sangue de doentes com cancro da mama, a equipa liderada pela investigadora Sónia Melo demonstrou que os exossomas são capazes de «infetar» as células vizinhas normais, tornando-as cancerosas.

 

Os investigadores consideram que «este trabalho vem revolucionar a forma como entendemos a progressão do cancro e abre possibilidades novas nas áreas de deteção, monitorização e tratamento desta doença».

 

Do ponto de vista do diagnóstico, este método também é considerado «revolucionário» porque o material é isolado através de sangue, logo é um método não-invasivo.

 

Os cientistas não conseguiram desvendar até que distância estes exossomas podem atravessar o corpo humano, mas o estudo sugere que têm bastante mobilidade.

 

De acordo com a investigação, este mecanismo também pode tornar mais agressivas as células cancerígenas próximas.

 

O trabalho publicado foi desenvolvido pela investigadora durante o período de pós-doutoramento nos Estados Unidos, na Harvard Medical School, em Boston, e mais recentemente no MD Anderson Cancer Center, em Houston.

 

Sónia Melo iniciou o percurso de investigadora no Ipatimup, ao qual regressou este ano na qualidade de investigadora principal. Sónia Melo encontra-se neste momento a desenvolver trabalho de investigação centrado na aplicação dos exossomas como uma forma de detetar e monitorizar o cancro.