O físico Carlos Fiolhais considera que a descoberta das ondas gravitacionais, previstas por Albert Einstein, é "a terceira grande descoberta do século na ciência". Um passo que abre uma nova janela para a observação do Universo.

"Depois da sequenciação do genoma humano, logo no início do século [2003], depois da descoberta da partícula de Higgs [2012], esta é a terceira grande descoberta do século na ciência", disse em declarações à Lusa.

Para o docente da Universidade de Coimbra, trata-se da "confirmação de uma previsão teórica brilhante", a "pedra que faltava para completar o belo edifício da Teoria da Relatividade Geral", de Albert Einstein (1879-1955).

A deteção das ondas gravitacionais, postuladas há cem anos pelo físico alemão na teoria da gravitação, que explica a origem da gravidade, foi anunciada esta quinta-feira ao mundo por uma equipa internacional de investigadores, depois de concluída com êxito uma experiência de vários anos, nos Estados Unidos.

Carlos Fiolhais sublinha que a descoberta destas ondas - perturbações do campo gravítico, quando uma grande massa abana - abre outra janela para a observação do Universo.

"Há outra maneira de ver o espaço", para lá da luz que os corpos celestes emitem, frisou, assinalando que será possível ver "os choques cósmicos, que deixam marcas não só de luz, mas também de ondas gravíticas", assim como estudar, de outra forma, as galáxias, os buracos negros.

Justificando as dificuldade da confirmação das ondas gravitacionais, o físico português disse que estas "são mais fracas, ténues, do que as ondas eletromagnéticas".

Apesar de "se propagarem à velocidade da luz, de terem propriedades comuns às da luz", as ondas gravitacionais são "muito mais fracas do que a luz" e, por isso, são mais difíceis de apanhar, apontou à Lusa.

Porém, há questões ainda por esclarecer, como saber se as ondas gravitacionais "têm pacotes de energia mínima", os gravitões.

"Os físicos esperam que existam gravitões", afirmou, acrescentando que, por paralelismo, nas ondas eletromagnéticas, captadas por exemplo por antenas de telemóvel, rádio e televisão, os "pacotes de energia mínima" são os fotões.

O docente ressalva, porém, que, ao contrário das ondas eletromagnéticas (geradas pela combinação de campos elétricos e magnéticos), "é muito pouco provável" que as ondas gravitacionais "tenham aplicações práticas na vida diária".

"O sinal é muito fraco, o emissor tem de ser muito forte e tem de estar no espaço. Conseguimos produzir ondas eletromagnéticas, mas não ondas gravitacionais", sustentou à Lusa, lembrando que estas ondas resultam de um cataclismo cósmico, como a colisão de dois buracos negros.