As doenças respiratórias crónicas são responsáveis por 12,4% dos óbitos e constituem a terceira causa de morte em Portugal, atrás das doenças cardiovasculares e do cancro, segundo o Relatório do Programa Nacional de Doenças Respiratórias, apresentado esta terça-feira em Faro.

Cristina Bárbara, que apresentou o relatório do Programa Nacional para as Doenças Respiratória de 2017, disse à agência Lusa que “anualmente 12% dos óbitos em Portugal são provocados por doenças respiratórias”, mas tem-se registado uma tendência de diminuição do número de “mortes prematuras” por doenças respiratórias, ou seja, as registadas em pessoas abaixo dos 70 anos.

Mas as “não prematuras, que afetam pessoas acima dos 70 anos, têm aumentado", contrapôs, frisando que é esta faixa etária a que tem contribuído mais para colocar as doenças respiratórias como a terceira principal causa de morte em Portugal.

Outro aspeto que tem vindo a evidenciar-se ao longo dos anos é que, enquanto no passado havia maior mortalidade no sexo masculino, presentemente, em números absolutos de óbitos, são iguais em homens e mulheres. E em 2015, que são os últimos dados fechados e oficiais do INE, até houve um ligeiro aumento por parte das mulheres”, disse Cristina Bárbara, justificando a “equalização no género” com o aumento de hábitos tabágicos entre o sexo feminino.

A especialista considerou que a existência de “melhores cuidados de saúde, diagnósticos precoces e melhores tratamentos” têm permitido colocar Portugal “num lugar privilegiado no panorama dos países da OCDE [Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico na Europa] no que diz respeito à asma e à Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC)”, com o segundo lugar entre os países com menor número de internamentos, atrás da Itália.

No último relatório da OCDE, de 2016, Portugal e Itália são os países com menores internamentos por ano em DPOCI. Isto é muito importante porque é um bom indicador da qualidade dos cuidados de saúde, porque os internamento por asma e DPOC são considerados internamentos evitáveis”, explicou.

Por isso, Cristina Bárbara colocou o foco na adoção de “medidas a nível de cuidados de saúde primários, quer de caráter preventivo, como uma vacina para a gripe, quer de caráter terapêutico”, para se “conseguir evitar exacerbações das doenças e os internamentos”.

Por isso, salientou, é necessário implementar em todos os agrupamentos de centros de saúde do país “uma rede nacional de espirometria”, exame que permite detetar a DPOC e que foi realizado a mais de 3.000 pessoas no âmbito de um projeto-piloto realizado no Algarve e no Alentejo.

Foi detetada alteração, no sentido de obstrução brônquica, em 26%. E a deteção permite que as pessoas deixem de fumar, façam vacinação da gripe e medicação preventiva, permitindo reduzir as idas às urgências e os internamentos, melhorar a qualidade e a esperança de vida”, sublinhou.

A mesma fonte destacou ainda a comparticipação que o Estado dá de 80% na aquisição de câmaras expansoras, “uma forma de administração por inaladores que aumenta a eficácia dos fármacos”.