O buraco na camada do ozono diminuiu quatro milhões de quilómetros quadrados, desde que atingiu o máximo histórico em 2000, com 25 milhões de quilómetros quadrados.

Os cientistas acreditam que a principal razão da recuperação foi o Protocolo de Montreal, que proíbe a emissão de compostos orgânicos clorados (clorofluorcarbonetos - CFC's) utilizados em limpezas a seco, nas refrigerações e em sprays.

A substituição dos CFC's por outros menos ofensivos terá sido a principal razão para a diminuição da camada do ozono. Os dados foram publicados na revista Science, pela geóloga Susan Solomon, que vê com entusiasmo a resposta do Planeta:

Agora podemos acreditar que as coisas que temos vindo a fazer colocaram o Planeta no caminho da cura”, disse a geóloga, acrescentando que isto mostra muito sobre os humanos: “Não somos assombrosos, nós humanos, que decidimos coletivamente, como mundo, que iríamos eliminar as moléculas [CFC's]? Eliminamos e agora estamos a ver a resposta do Planeta.”

A investigação resulta da combinação entre observações realizadas por balões e satélites, com modelos matemáticos avançados, pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em parceria com o Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica, de Boulder, no Colorado, e da Universidade de Leeds, no Reino Unido.

O mesmo estudo mostra que há fenómenos naturais que também contribuem para a diminuição da camada do ozono: as elevadas temperaturas nas camadas mais altas da atmosfera e, sobretudo, as erupções vulcânicas.

Em outubro do último ano, o buraco na camada do ozono deu sinais de que estava de novo a crescer. Atualmente, os cientistas acreditam que esse período coincidiu com a erupção do vulcão Calbuco, no sul do Chile. Os vulcões emitem uma elevada quantidade de pequenas partículas, que sobem à atmosfera e favorecem as reações que destroem a camada de ozono.  

A diminuição da camada tem efeitos diretos sobre a saúde, uma vez que é responsável pela proteção natural contra a radiação ultravioleta, que pode causar cancro de pele.

De acordo com dados das Nações Unidas e citados pelo El País, o protolo de Montreal evitará dois milhões de casos de cancro até 2030, desde 1989, ano em que entrou em vigor.

A diminuição da espessura da camada do ozono afetou na generalidade todas as latitudes, mas a situação é mais grave nos polos e, sobretudo, na Antártida. A situação foi descoberta na década de cinquenta, mas a gravidade do problema foi confirmada apenas nos anos 80. Desde então, as medições são realizadas anualmente em outubro.