Quatro investigadores portugueses que colaboram numa pesquisa mundial na área da física receberam, nesta segunda-feira, o prémio Breakthrough para a Física Fundamental 2016, atribuído aos cientistas que participaram na descoberta da oscilação de neutrinos.

Os neutrinos são partículas elementares sem carga elétrica, e que, por isso, podem atravessar grandes quantidades de matéria, mas são muito difíceis de detetar. Resultam de reações nucleares e, juntamente com os protões, são as partículas mais abundantes no universo.

O investigador José Maneira, um dos quatro portugueses do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP) que participou na investigação premiada, manifestou-se “muito satisfeito” por fazer parte da equipa do projeto, considerando ser esta distinção o corolário de um percurso que iniciou há cerca de 20 anos.

“É uma satisfação muito grande, ainda por cima depois do prémio Nobel [na mesma área]. O Breakthrough é um prémio mais recente, permite o reconhecimento de grandes colaborações internacionais de centenas de pessoas, são 1.300 pessoas a ser agraciadas”, explicou, e m declarações à agência Lusa, referindo-se ao prémio instituído pelo empresário e físico russo Yuri Milner em 2012 e que foi apresentado numa cerimónia no Centro de Investigação Ames, da NASA, na Califórnia, no valor de três milhões de dólares, sem limite de pessoas premiadas em cada ano.

Os quatro investigadores portugueses que participaram na colaboração internacional SNO são José Maneira, Nuno Barros, Sofia Andringa e Gersende Prior.

Em 2015, a “descoberta fundamental da oscilação de neutrinos, revelando uma fronteira para além, do modelo padrão da física de partículas”, ganhou o prémio Breakthrough, depois de ter recentemente merecido o prémio Nobel da Física, ao distinguir Takaaki Kajita e Arthur McDonald.

O enfoque da investigação agora premiada, segundo José Maneira, responsável pelo grupo de física de neutrinos do LIP, “não fica somente na descoberta das novas propriedades destas partículas, mas também reconhece que podem abrir caminhos novos para experiências futuras”.

“É um prémio virado para o futuro, para as novas questões que foram abertas pela descoberta de Kajita e McDonald, e, nós no LIP, participamos também numa dessas novas experiências, que é a SNO+, que vai mais além do que só a análise de dados”, sublinhou.

O laboratório português integra desde 2005 uma das colaborações agora premiadas, a SNO-Sudbury Neutrino Observatory, dedicada ao estudo de neutrinos solares, e trabalha ativamente na preparação da experiencia sucessora, a SNO+.

O trabalho experimental agora premiado, realizado ao longo de mais 15 anos, foi elaborado por cinco colaborações internacionais, a SuperKamiokande, a SNO, a K2K/T2K, KamLAND e Daya Bay.